No mês dedicado à Consciência Negra, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) realizou uma homenagem póstuma ao cartunista Ykenga, referência na luta antirracista por meio do humor gráfico.
Na última semana, o deputado Carlos Minc (PSB) entregou à esposa do artista, Marisa Mattos, uma Moção de Louvor que destacou o impacto político, social e cultural de sua obra.
Minc afirmou que Ykenga foi mais do que um desenhista: “foi um cronista do povo preto, capaz de transformar humor em denúncia e riso em reflexão”. Ele lembrou que o artista uniu arte e consciência ao longo de décadas de produção.
Segundo o parlamentar, quando Ykenga criou a série Casa Grande & Sem Sala, não produziu apenas sátira, mas um “soco teórico com luva de humor”, tornando-se pioneiro ao revelar nas charges questões que muitos insistiam em ignorar.
A Moção, disse Minc, não era apenas uma homenagem formal, mas um gesto para manter vivo o legado do artista. “Artista que desenha consciência não morre: vira traço na história”, disse o deputado ao entregar o reconhecimento à esposa do cartunista.

Um cartunista que desenhou consciência
Bonifácio Rodrigues de Mattos, o Ykenga, morreu no passado, aos 71 anos, após sofrer um infarto. Desenhista técnico e sociólogo de formação, ele se destacou como um dos primeiros cartunistas do país a criticar explicitamente o racismo em suas obras.
Flamenguista apaixonado, levava com frequência o futebol para seus traços, sempre com olhar social. Sua trajetória começou no jornal O Pasquim, nos anos 1970, e se espalhou por diversas redações cariocas, incluindo O Dia, O Povo, Última Hora, Jornal dos Sports, O Fluminense e outras publicações onde marcou gerações com seu humor crítico.






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