A cidade do Rio de Janeiro acaba de ganhar um novo espaço simbólico em sua geografia cultural. O prefeito Eduardo Paes sancionou o Decreto nº 56.747, publicado nesta terça-feira (9) no Diário Oficial, que denomina Baixo Jaguar o trecho da Rua da Carioca localizado entre a Avenida Passos e a Rua Uruguaiana, no Centro. A medida presta homenagem ao cartunista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, conhecido nacionalmente como Jaguar, que morreu no último dia 24 de agosto.
Jaguar foi um dos fundadores do jornal O Pasquim, publicação histórica que se tornou referência de resistência democrática e identidade carioca durante a ditadura militar. Com humor ácido e traço inconfundível, o artista criou personagens icônicos como o Bichinho de Jacob, a Onça, Zózimo e o leão Léo da chácara, que marcaram a memória gráfica e crítica do país.
O legado do humor irreverente
Nascido no Rio de Janeiro em 1932, Jaguar se destacou por seu estilo satírico e irônico, capaz de driblar a censura e inspirar gerações de jornalistas e cartunistas. Seu personagem Sig, o ratinho mascote do Pasquim, virou símbolo da irreverência carioca e da luta pela liberdade de expressão.
O decreto lembra ainda que Jaguar integra o panteão de grandes artistas visuais e cartunistas brasileiros, que projetaram a criatividade do Rio para além das fronteiras nacionais. Sua obra é reconhecida como parte da identidade cultural e boêmia da cidade.
Rua da Carioca como polo cultural
A Rua da Carioca já era conhecida como espaço de tradição boêmia e gastronômica, apelidada de “Rua da Cerveja”. Agora, com a criação do Baixo Jaguar, o local ganha um novo marco cultural. A iniciativa também dialoga com o programa Reviver Cultural, voltado à revitalização do Centro do Rio e à valorização de sua memória histórica.
Nome será incorporado oficialmente
Segundo o decreto, a designação Baixo Jaguar será incorporada de forma complementar ao logradouro, sem substituir o nome original da Rua da Carioca. A norma entrou em vigor na data de sua publicação.
Com a homenagem, a cidade reforça a importância do humor, da caricatura e do cartum como formas legítimas de expressão e preserva o legado de Jaguar como cronista visual da vida carioca.






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