A morte a tiros de Clayton Damasceno, pré-candidato a vereador em Queimados, no último sábado (28), é o mais recente de uma rotina violenta de crimes políticos na Baixada Fluminense. Nos últimos 20 anos, 30 políticos foram assassinados na região. Se incluídos os casos em todo o estado, chega-se a 43 assassinatos.
Como mostra reportagem de O Globo, indícios apontam a atuação de milicianos, traficantes, contraventores do jogo do bicho ou grupos de extermínio nos homicídios. Clayton foi executado na Rua Olímpia Silva, no bairro Inconfidência, sábado à noite. No entanto, ainda não há informações sobre a motivação do crime, embora a hipótese de crime político esteja sendo considerada.
De acordo com as investigações, Damaceno havia passado o dia fazendo campanha pelos bairros de Queimados, quando ele e sua secretária, Paula Ribeiro, pararam em uma sorveteria, próximo à praça da Bíblia. Por volta das 23h, foram surpreendidos por criminosos que efetuaram vários disparos contra os dois. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) foi acionada e apura o caso. Ainda segundo a Polícia Civil, diligências estão em andamento para apurar as circunstâncias da mortes de Clayton e Paula.
No Rio, a Baixada Fluminense, local de disputa entre as milícias, se consolidou como a região mais perigosa para quem ocupa cargo eletivo ou está em campanha para tal. Mais de 72% dos casos no estado (31 de 43) ocorreram nos 13 municípios da região, onde vivem cerca de 4 milhões de habitantes.
Magé foi a cidade com o maior número de políticos mortos, dez no total, seguida por Duque de Caxias, com sete. A lista tem Nova Iguaçu (5), Seropédica (4) e Nilópolis (3), todas na Baixada. Houve ainda dois casos em São Gonçalo, além de um em Niterói e um em Itaboraí — as três na Região Metropolitana. Rio Claro, com uma execução, é a única representante do interior.
Na capital, com população de 6,7 milhões, houve sete casos, sendo o ataque contra a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018, o mais emblemático. Dois ex-PMs — um deles expulso da corporação apenas cinco anos após o crime — que possuem vínculos estreitos com milicianos estão presos como executores do duplo homicídio, e a Polícia Civil ainda busca os mandantes.
Com informações de O Globo





