O assassinato de Ismail Haniyeh, um dos líderes mais seniores do Hamas, na capital do Irã ameaça aumentar as tensões no Oriente Médio e pode colocar em risco qualquer perspectiva de avanço nas negociações já estagnadas para parar o genocídio que Israel comete em Gaza. O principal líder do Hamas era considerado essencial para as negociações e a diplomacia de alto risco do grupo.
Haniyeh foi morto enquanto estava em Teerã com outros membros seniores do “eixo de resistência” do Irã — que inclui o Hamas em Gaza, o Hezbollah no Líbano e os houthis no Iémen — para participar da posse do novo presidente eleito do Irã. O Hamas e a mídia estatal iraniana atribuíram a morte de Haniyeh, o líder político do grupo militante, a Israel. O exército israelense não comentou sobre o assassinato.
Veja o que se sabe sobre o ataque:
Ataque ocorre em momento tenso
Haniyeh foi morto menos de um dia após Israel realizar um ataque separado contra um comandante do Hezbollah em um subúrbio de Beirute, em retaliação a um suposto ataque do grupo militante no fim de semana a Golã — cidade ocupada por Israel — que matou 12 crianças e adolescentes.
O assassinato em Teerã deixa Israel enfrentando possíveis respostas tanto do Hamas quanto do Hezbollah pelos ataques aos seus líderes, e do Irã pelo assassinato em seu território.
Antes dos ataques, havia expectativas de que Israel e Hamas estavam perto de um acordo de cessar-fogo Gaza. Os ataques de Israel à região palestina já dura 10 meses e deixou cerca de 39 mil mortos — a maioria mulheres e crianças — além de ter desencadeado uma crise humanitária cada vez mais profunda no local.
Haniyeh estava entre os negociadores nas conversações em andamento entre Israel e Hamas, mediadas pelo Egito, Qatar e Estados Unidos, para que Israel interrompesse os bombardeios a Gaza em troca de reféns capturados no ataque liderado pelo Hamas ao país judeu.
Assassinato pode ameaçar chances de cessar-fogo
No final da semana passada, oficiais disseram que estava sendo feito progresso nas negociações de meses entre Israel e Hamas para uma trégua em Gaza, apesar das lacunas persistentes em várias questões críticas. Agora, a morte de Haniyeh, uma figura chave nas negociações, torna a perspectiva de um acordo ainda mais incerta.
O Qatar, que desempenhou um papel central na mediação das conversas entre Israel e Hamas, condenou o assassinato de Haniyeh, chamando-o de “um crime feio e uma escalada perigosa.” O Ministério das Relações Exteriores do Qatar afirmou em um comunicado na quarta-feira que o assassinato e a “continuação dos ataques israelenses contra civis em Gaza” estavam “levando a região a um estado de caos.”
O Secretário de Defesa dos EUA, Lloyd J. Austin, disse na quarta-feira que o governo dos EUA, que também tem mediado as conversas junto com o Qatar e o Egito, “trabalhará arduamente para garantir que estamos fazendo o que podemos para baixar a temperatura e abordar as questões por meio de meios diplomáticos.”
O local de sua morte é significativo
Haniyeh estava liderando a facção política do Hamas a partir do exílio no Qatar, onde mora desde 2017. Israel mantém laços informais com o Qatar e não atacou líderes do Hamas naquele país.
A falha em proteger o líder de um aliado em sua capital é uma grave violação de segurança para o Irã. Haniyeh havia se encontrado com o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, na terça-feira pouco antes de sua morte. Isso também levanta questões sobre a segurança dos principais líderes do Irã e a capacidade de Israel de atacá-los.
Na manhã de quarta-feira, o Irã realizou uma reunião de emergência de seu Conselho Supremo de Segurança Nacional na residência do líder supremo. A televisão estatal iraniana afirmou que o ataque levaria a retaliações por grupos militantes apoiados pelo Irã na região.
Israel realizou uma série de assassinatos de alto perfil no Irã nos últimos anos, o que gerou alarmes e levou a uma reavaliação da segurança. Irã e Israel têm travado uma guerra encoberta por meio de procuradores e assassinatos direcionados. Em abril, o Irã lançou centenas de mísseis contra Israel após um ataque israelense contra comandantes iranianos na Síria.
Com informações do GLOBO.





