Às vésperas da filiação de Luciano Vieira, PSDB do Rio enfrenta disputa interna pelo comando do partido

Tucanos de peso querem manter Sávio Neves, primo de Aécio, na presidência estadual; deputado prepara ato de filiação em São João de Meriti e defende reposicionamento do partido no estado

Às vésperas da filiação do deputado federal Luciano Vieira ao PSDB, o partido no Rio de Janeiro ainda enfrenta uma disputa interna pelo comando da sigla. Tucanos fluminenses de alta plumagem tentam manter o empresário Sávio Neves, primo do deputado mineiro Aécio Neves, na presidência estadual, enquanto aliados de Luciano pressionam por renovação.

O grupo que luta para manter Sávio Neves no comando do partido tem a intenção de cacifar o empresário para concorrer ao Senado nas eleições de 2026 pelo PSDB. Já Luciano Vieira pretende articular um movimento em torno da candidatura do ex-prefeito Cesar Maia, caso o governador Cláudio Castro (PL) não entre na corrida.

A briga, que começou nos bastidores, já mobiliza lideranças nacionais e promete redefinir o futuro da legenda no estado. O impasse ocorre em meio à reestruturação do PSDB em todo o país. Aécio Neves voltará a assumir, em dezembro, a presidência nacional do partido — um movimento de reconstrução política com foco nas eleições de 2026. Dirigentes próximos afirmam que o mineiro não pretende “deixar o primo à margem da estrada”, o que tem ampliado a resistência ao avanço de Luciano no diretório fluminense.

Enquanto as negociações continuam, Luciano Vieira organiza sua filiação oficial no próximo dia 25 de outubro, em um grande ato político em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Vieira promete reunir milhares de militantes e anuncia as presenças de Aécio Neves e do ex-governador goiano Marconi Perillo, atual presidente nacional da legenda.

Com 84 mil votos obtidos em sua primeira eleição, Vieira tem trânsito consolidado em Brasília e quer usar o PSDB como plataforma para um reposicionamento político no Rio. Ele pretende assumir a presidência estadual em novembro, quando se encerra o mandato da atual Executiva, no dia 11. A substituição do comando do ninho tucano fluminense seguiria uma resolução da Executiva Nacional que determina a renovação de diretórios estaduais e municipais até o fim do mês.

Disputa por poder e resistências internas

A ascensão de Luciano, no entanto, divide os tucanos. Setores da velha guarda já articulam uma reação e prometem questionar a troca partidária do deputado — eleito pelo PL em 2022, depois migrado ao Republicanos e agora prestes a pousar no ninho tucano. O grupo cogita até acionar o Ministério Público Eleitoral sob alegação de “infidelidade partidária”, embora Vieira tenha carta de liberação formal do PL.

Além de Luciano, outros nomes também aparecem na corrida pelo comando estadual. O deputado federal Marcelo Queiroz, ex-candidato a prefeito do Rio se filiou ao PSDB após deixar o PP em razão da federação com o União Brasil. Apesar de ser visto como um nome de consenso, Queiroz nega que disputará a presidência.

Outro que chegou a ser cotado para a presidência no Rio foi o pastor e deputado federal Otoni de Paula, que pode trocar o MDB pelo PSDB — de preferência, com o comando estadual nas mãos.

A briga tucana no Rio, portanto, pode se transformar em uma guerra de bastidores entre Luciano, Otoni e Queiroz, com Sávio Neves ainda segurando a cadeira e caciques nacionais divididos: Marconi Perillo estaria mais próximo de Luciano e Otoni, enquanto Aécio Neves gostaria de emplacar Queiroz na sucessão ou manter o primo Sávio no comando.

PSDB tenta renascer no Rio

O PSDB, que já foi protagonista da política estadual e nacional e viveu seu auge nas gestões de Fernando Henrique Cardoso, quando comandou o governo estadual com Marcelo Alencar, tenta agora sair do ostracismo. No Rio, a legenda busca se reorganizar e reconquistar espaço nas urnas após anos de enfraquecimento.

Luciano Vieira defende que o partido assuma uma posição de centro democrático, capaz de dialogar tanto com lideranças regionais quanto com setores moderados da política fluminense.

Reposicionamento nacional e futuro incerto

Com Aécio Neves de volta ao comando nacional e a possibilidade de Luciano Vieira liderar o partido no Rio, o PSDB tenta se reposicionar politicamente entre o PT e o bolsonarismo, resgatando sua identidade programática e mirando o crescimento da bancada federal — hoje com apenas 13 deputados.

No entanto, a divisão de interesses e o embate entre grupos regionais mostram que o caminho da reconstrução tucana será turbulento. No Rio, o ninho segue em plena ebulição — e, por enquanto, as plumas continuam arrepiadas.

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