Arquidiocese do Rio divulga nota após polêmica com desfile da Acadêmicos de Niterói

Igreja manifesta preocupação com uso de símbolos cristãos e familiares; OAB-RJ também critica ala apresentada na Sapucaí

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro divulgou uma nota pública manifestando preocupação com a utilização de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em manifestações culturais, informa o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo. Embora o texto não mencione diretamente a Acadêmicos de Niterói, a escola é apontada como destinatária da manifestação, após apresentar na Marquês de Sapucaí um enredo que gerou controvérsia.

Durante o desfile, a agremiação levou à avenida uma ala que retratava “neoconservadores em conserva”, descrita pela própria escola como “um grupo que atua fortemente em oposição a Lula, incluindo evangélicos, votando contra a maioria das pautas defendidas por ele”.

A representação provocou reações de diferentes setores da sociedade, incluindo entidades religiosas e instituições civis.

Posicionamento da Arquidiocese

Na nota oficial, a Arquidiocese afirma que “manifesta sua preocupação a respeito da utilização de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em manifestações culturais de maneira que compreendemos como ofensiva”.

O texto reconhece a relevância da cultura popular como parte da identidade nacional, mas ressalta a necessidade de limites.

“A cultura popular é expressão da identidade brasileira, espaço de criatividade, encontro e alegria”, afirma a Arquidiocese. Contudo, acrescenta que “é preciso que tais manifestações respeitem convicções religiosas profundas e valores que estruturam a vida social e são invioláveis para as pessoas desta cidade”.

A nota também pondera que a alegria e a celebração são legítimas quando vividas de forma respeitosa. Segundo o documento, “a Arquidiocese reconhece a alegria, vivida de forma saudável e respeitosa, é legítima e enriquece a vida cultural. Situações pontuais de desrespeito não representam a riqueza e a diversidade cultural da cidade, que devem ser sempre espaços de inclusão, diálogo e convivência democrática.”

Reação da OAB-RJ

Além da manifestação da Igreja, a Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro também se posicionou sobre o episódio. A OAB-RJ emitiu nota de repúdio contra a escola, apontando que teria ocorrido “intolerância religiosa” durante a apresentação.

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