Se a Dinamarca ceder às pressões do presidente dos EUA, Donald Trump, para vender a Gronelândia, a Grã-Bretanha teria prioridade na compra. A informação é do jornal inglês ‘The Sunday Times’ em matéria de capa deste domingo (26). Segundo o Times, em um acordo feito em 1917, o Reino Unido exigiu que, se a Groenlândia fosse vendida, a Grã-Bretanha deveria ter o primeiro direito de comprá-la.
A afirmação foi feita ao jornal por Tom Hoyem, que foi representante da Dinamarca na Gronelândia de 1982 a 1987. Segundo ele, a exigência foi devido ao fato do Canadá, na época, ser um domínio britânico, e dado que a Gronelândia ficava a apenas alguns quilómetros de distância, era lógico “que os britânicos dissessem que teriam o primeiro direito de comprar”. Tom Hoyem disse que, quando a América fez pela primeira vez uma tentativa – mas abortada – de adquirir a ilha, Woodrow Wilson, então presidente dos EUA, concordou posteriormente que a Gronelândia era e seria sempre dinamarquesa.. “Se Trump tentasse comprar a Gronelândia, teria de perguntar primeiro a Londres”, disse ele ao jornal.
A discussão sobre o tema ganhou destaque no jornal inglês depois que o “Financial Times’ publicou que Trump teve uma “ligação ardente” com Mette Frederiksen, a primeira-ministra dinamarquesa, sobre a Groenlândia, durante o qual ele foi agressivo. O gabinete de Frederiksen disse que “não reconhece a interpretação da conversa”. Lars Lokke Rasmussen, o ministro das Relações Exteriores dinamarquês, conversou então com Marco Rubio, o secretário de Estado dos EUA, mas Tom Hoyem disse que os dois concordaram em adiar as discussões sobre a ilha.
O acordo de 1917 surgiu como parte dos acordos em torno da compra pelo então presidente americano, Woodrow Wilson, por US$ 25 milhões do que hoje são as Ilhas Virgens dos EUA, vendidas pela Dinamarca. Wilson foi instado na época por um empresário proeminente a comprar também a Groenlândia, que fica no hemisfério ocidental, mas inicialmente foi desdenhoso.
Não é a primeira vez que Donald Trump fala em comprar a Gronelândia para os EUA Em seu primeiro mandato ele já havia manifestado a intenção em uma reunião no Salão Oval no primeiro semestre de 2018. Depois disso, a ideia teria sido mencionada várias vezes, em perguntas a seus assessores sobre a possibilidade legal de fazer a compra.





