Após ser satirizado no Carnaval, Michel Temer fala em ‘ilusionismo político’

Ex-presidente afirma que liberdade artística é legítima, mas critica negação de conquistas como a reforma trabalhista

O ex-presidente Michel Temer comentou a sátira feita a ele no desfile da Acadêmicos de Niterói, na noite de domingo (15), na Marquês de Sapucaí. A escola levou à avenida um enredo que homenageou o presidente Lula e incluiu referências críticas a ex-chefes do Executivo.

Na comissão de frente, um ator representando Temer apareceu retirando a faixa presidencial de Dilma Rousseff e, em seguida, entregando-a a um palhaço, símbolo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A cena provocou repercussão política e levou Temer a se manifestar por meio de nota.

Tradição carnavalesca e liberdade artística

No texto, o ex-presidente afirmou que a sátira política faz parte da tradição do Carnaval e disse não julgar as escolhas feitas na avenida. “A sátira política é parte da tradição do Carnaval. E como defensor da liberdade de expressão e da liberdade artística, não julgo as escolhas feitas como tema na avenida”, declarou.

Temer também ressaltou que não cabe exigir precisão histórica em um desfile carnavalesco. “Como o samba é o espaço da criatividade e da fantasia, não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí”, afirmou.

Críticas à política econômica e às reformas

Apesar do tom conciliador em relação à manifestação artística, Temer fez críticas diretas ao que chamou de ilusionismo político. “O problema é quando adotam o ilusionismo na Esplanada, promovendo a irresponsabilidade fiscal, os juros altos e o endividamento público crescente — e negando conquistas, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência”, disse.

Na avaliação do ex-presidente, o país estaria abandonando uma agenda de avanços institucionais. “É triste ver a troca da ponte para o futuro por uma volta ao passado”, completou, encerrando a nota com a expressão: “Olha o Brasil aí… gente!”.

A manifestação de Temer se soma às reações políticas provocadas pelo desfile da Acadêmicos de Niterói, que reacendeu o debate sobre os limites entre crítica política, liberdade artística e disputa de narrativas no Carnaval carioca.

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