Após reunião com Lula, Lewandovsky diz que governo fará discussão com líderes antes de enviar PEC da Segurança ao Congresso

Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, se reuniu com presidente Lula nesta quinta-feira para tratar do texto

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciou nesta quinta-feira que o governo irá reunir os líderes do Congresso para apresentar a PEC da Segurança antes do seu envio formal ao Legislativo.

A decisão ocorreu após uma reunião de mais de duas horas entre Lewandowski e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, com participação da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Segundo o ministro, o texto foi concluído e está pronto para ser encaminhado ao Parlamento.

— A PEC pretende, em linhas gerais, criar um SUS da segurança pública. Ou seja, um sistema único de segurança pública que estará na Constituição da República, com recursos próprios e integrando todas as forças policiais do Brasil para combater a criminalidade. A PEC será enviada oportunamente ao Congresso Nacional depois de uma discussão com os líderes, tanto da Câmara quanto do Senado, para que chegue a um consenso do momento apropriado. Essa articulação será feita pela ministra Gleisi — afirmou Lewandowski no Planalto após encontro com Lula.

Para entrar em vigor, o texto precisa ser aprovado por três quintos dos votos dos deputados e senadores. Gleisi afirmou que irá procurar os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para marcar uma reunião com líderes na próxima semana. A ministra admitiu a possibilidade de o texto sofrer alterações durante a tramitação no Legislativo.

— A PEC organiza o sistema de segurança no Brasil. É uma necessidade que nós temos. É óbvio que nunca você tem consenso, é legítimo por parte dos parlamentares. Antes de enviar a proposta, vamos fazer uma reunião com os líderes da base, junto com presidentes das Casas, para apresentá-la e avaliar o melhor momento de enviar a PEC formalmente. Acho que não terá problema quanto a isso. Vários líderes têm cobrado do governo posicionamento, querem fazer o debate da segurança pública. Penso que teremos um clima o Congresso propício a isso — afirmou Gleisi.

Mais cedo, a ministra da SRI informou que na semana que vem o governo enviará ao Congresso o projeto que aumenta a faixa de isenção do imposto de renda para R$ 5 mil, principal prioridade do Planalto para o ano de 2025. Gleisi disse que não acredita que a PEC possa atrapalhar a tramitação da proposta.

— Não são concorrentes em termos de prioridades porque são áreas muito diferentes. Podem tramitar (juntas).

Além de Lewandowski e Gleisi, participaram da reunião os ministros Rui Costa (Casa Civil), Jorge Messias (AGU), Vinicius Carvalho (CGU), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Manoel Carlos de Almeida.

O ministro da Justiça passou os últimos meses tentando viabilizar politicamente a PEC, que foi recebida em um primeiro momento com resistência de governadores e integrantes do próprio governo. Uma das últimas mudanças foi incluir no texto da PEC a atribuição de “policiamento ostensivo e comunitário” para as Guardas Civis Municipais (GCMs). A medida visa angariar o apoio de parlamentares à PEC, que amplia o papel da União no combate ao crime organizado e constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (Susp).

Esta é a segunda alteração feita por Lewandowski no conteúdo da proposta de emenda à constituição, que estava sob análise do Ministério da Casa Civil. A primeira – que retirou a previsão de “observância obrigatória” das diretrizes do governo federal – foi realizada no início do ano para atender ao pedido de governadores.

Com a mudança no texto, as guardas municipais passariam a constar na lista de órgãos de segurança pública previstos no artigo 144 da Constituição junto com as Polícias Federal, Militar, Civil e Penal. Segundo a pasta, a medida prevê que a corporação atue em “ações de segurança urbana, de forma que não se sobreponham às atribuições das polícias Civil e Militar”. “O objetivo é que haja cooperação com os demais órgãos do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP)”, informou o ministério.

O novo texto vem em linha com uma decisão tomada na última semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou constitucional a criação de leis pelos municípios para que as guardas municipais realizem ações de segurança urbana.

De acordo com a decisão, as GCMs não têm atribuição de investigar, mas podem realizar o policiamento ostensivo, o que envolve prisões em flagrante, por exemplo.

O Ministério da Justiça comunicou que deixará claro que as guardas são “instituições de natureza civil” e não podem exercer qualquer atividade de polícia judiciária. Além disso, a corporação ficará submetida ao controle externo do Ministério Público.

Com informações de O Globo

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