Após explosão em SP, Haddad critica privatização da Sabesp: ‘Beneficia quem compra a empresa e prejudica a população’

Ex-ministro relaciona acidente no Jaguaré ao modelo de gestão da companhia após desestatização e cobra apuração rigorosa do caso

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad responsabilizou a privatização da Sabesp pela explosão registrada no bairro do Jaguaré, na zona oeste da capital paulista, durante uma obra de remanejamento de tubulação realizada pela companhia. O acidente deixou uma pessoa morta, três feridas e provocou danos em dezenas de imóveis da região.

Em vídeo publicado nas redes sociais e reportado pelo portal Brasil 247, Haddad associou o episódio diretamente ao processo de desestatização conduzido pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e afirmou que o caso precisa ser investigado com rigor.

“Nos últimos dias, uma explosão em uma obra da Sabesp, no Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo, infelizmente causou prejuízos e morte. O fato é muito grave, mas precisa ser tratado com serenidade e apurado com rigor”, declarou.

O acidente ocorreu na segunda-feira (11), durante uma intervenção da companhia na rede de abastecimento. Segundo a Sabesp, a explosão aconteceu após uma rede de gás ser atingida durante o remanejamento de tubulações de água. A Defensoria Pública de São Paulo informou que a perfuração atingiu uma estrutura pertencente à Comgás.

Além da vítima fatal e dos feridos, cerca de 160 moradores foram afetados pela ocorrência. Pelo menos 46 residências passaram a ser avaliadas pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) devido aos danos estruturais provocados pela explosão.

Haddad critica efeitos da privatização

Ao comentar o episódio, Haddad afirmou que a tragédia ocorreu em meio a um cenário de aumento das reclamações relacionadas aos serviços prestados pela companhia após a privatização.

“Poucos dias antes do acontecido, uma reportagem do UOL mostrou o tamanho da falta de compromisso da empresa privatizada com a vida dos seus clientes, com torneiras secas e falta de cuidado com a água de consumo da população”, afirmou.

O ex-ministro também citou dados sobre o crescimento das queixas registradas contra a empresa desde a mudança no controle acionário.

“A reportagem mostra também que, depois da privatização, as reclamações contra a Sabesp subiram 70%”, disse.

Na sequência, Haddad criticou os resultados financeiros obtidos pela companhia após a privatização e afirmou que os ganhos ficaram concentrados nos investidores.

“Você sabe o que subiu também? O lucro da empresa, que cresceu mais de 30%. Esse é o resultado da privatização promovida pelo Tarcísio. Beneficia quem compra a empresa e prejudica a população.”

Promessas sobre tarifa entram no debate

O ex-ministro relembrou ainda declarações dadas por Tarcísio antes da privatização da Sabesp, quando o governador afirmou que as tarifas poderiam ser reduzidas após a operação.

“E você se lembra, antes da privatização, ele prometeu que a conta de água ia ser reduzida”, afirmou Haddad, antes de reproduzir uma fala do governador: “O que vai acontecer com a minha tarifa com essa privatização? Vai baixar. Vai ser mais baixa? Vai ser mais baixa.”

Haddad contestou a promessa e mencionou reajustes recentes nas tarifas praticadas pela companhia.

“Você garante que eu vou pagar menos do que eu pago hoje? Garanto. Mas ela aumentou. A conta de água vai ficar mais cara”, declarou.

O petista também mencionou índices de reajuste tarifário aplicados após a privatização. “Aqui está um aumento de 6,11%. Esse aumento vai ser de 9,56%.”

Ao final da manifestação, Haddad voltou a afirmar que os efeitos da privatização prejudicaram os consumidores paulistas.

“Com o Tarcísio, só ganhou com a privatização da Sabesp quem comprou a Sabesp. Porque o prejuízo sobrou pra quem paga a conta”, afirmou.

“Vamos ver se a partir desses tristes acontecimentos, o governador Tarcísio passa a ter mais cuidado com o patrimônio dos paulistas.”

Privatização foi concluída em 2024

A privatização da Sabesp foi concluída em julho de 2024 pelo governo paulista. Na ocasião, a gestão estadual informou que a operação arrecadou R$ 14,7 bilhões. A empresa Equatorial Energia tornou-se investidora de referência ao adquirir 15% da companhia por R$ 6,9 bilhões.

Após a explosão no Jaguaré, Tarcísio informou ter convocado uma reunião com as empresas envolvidas no acidente e garantiu que os moradores atingidos terão os prejuízos ressarcidos.

O governador também afirmou que a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) foi acionada para investigar responsabilidades e avaliar possíveis sanções relacionadas ao caso.

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