André Ceciliano e o apoio real, efetivo, aos CAPS, aos com transtornos mentais e suas famílias

*Paulo Baía André Ceciliano começou jovem sua militância política, ainda adolescente, militante que tinha como ideal melhorar a qualidade de vida da população de sua vizinhança, de seu bairro, de sua cidade e do Brasil.Tinha e ainda tem a utopia de acabar com a pobreza, acabar com a miséria. Já aos 14/15 anos trabalhava com…

*Paulo Baía

André Ceciliano começou jovem sua militância política, ainda adolescente, militante que tinha como ideal melhorar a qualidade de vida da população de sua vizinhança, de seu bairro, de sua cidade e do Brasil.
Tinha e ainda tem a utopia de acabar com a pobreza, acabar com a miséria. Já aos 14/15 anos trabalhava com esse objetivo altruísta.
Foi um jovem candidato a prefeito do município de Paracambi, na Baixada Fluminense, sua cidade de referência em 1996. Perdeu a eleição para seus oponentes.
Em 1998, eleito deputado estadual, fez um primeiro mandato com eficiência, perspicácia, autonomia, produtividade e coragem. Defendeu a Baixada Fluminense e toda a Região Metropolitana do RJ, que concentrava 75% da população do RJ.
Em 2000 foi eleito pela primeira vez prefeito de Paracambi. Logo no início de seu mandato teve que lidar com a reforma política da saúde mental, com a lei da desospitalização, uma nova concepção de tratamento de doenças metais com foco nos municípios e nas famílias dos adoentados.
Como jovem prefeito, em primeiro mandato, no final de seu segundo ano de gestão assiste e colabora com a primeira vitória de Lula da Silva, em 2002.
O projeto de desospitalização, projeto antimanicomial liderado pelo doutor Pedro Gabriel Godinho, Lygia Bahia e todos os demais colegas do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro – IPUB/UFRJ, juntamente com a maioria dos psiquiatras do Brasil, foi aprovado pelo Congresso Nacional e colocado em execução pelo ministro da saúde da época, Humberto Costa, em 2003.

André Ceciliano foi rápido nas negociações e ações, pois vivia no município de Paracambi, um depósito de “malucos” do Brasil inteiro, o local onde viviam todos aqueles com problemas crônicos de doenças mentais, abandonados por suas famílias, amigos e governos, sem família, sem estrutura e recursos financeiros, sem apoio de ninguém, só da providência divina e da própria sorte. Sem nada, eram destinados a verdadeiros “campos de concentração”.
A Casa de Saúde Dr Eiras era o principal ícone desse cenário e principal contribuinte tributário municipal de Paracambi.
André Ceciliano, como prefeito, juntamente com o presidente Lula da Silva, com a doutora Maria Tavares Santinha como presidente do Conselho Estadual de Saúde, representando o secretário de estado de saúde do Rio de Janeiro e com o ministro de saúde do governo federal fazem um projeto piloto arrojado, que é um protótipo, um paradigma para toda a política de desospitalização, para toda a política antimanicomial no Brasil.
Transformam os galpões e o prédio principal da Clínica de Saúde Doutor Eiras em uma Fábrica de Cultura, em uma fábrica de arte, de artesanato, de educação, de ensino, de profissionalização e, sobretudo, de dignidade humana.

Como fábrica de dignidade humana, a antiga Clínica de Saúde Doutor Eiras apoia os CAPS dos municípios de toda a Baixada Fluminense e de outros municípios carentes de recursos humanos em especial.
O município de Paracambi pode ser o modelo do que toda a desospitalização de doentes mentais pretendia, o que a política antimanicomial deveria seguir em todo o país, e não consegue ser.
Hoje temos centenas de famílias e milhares de adoentados que não são atendidos de maneira adequada pelos CAPS municipais, se tornam problemas crônicos para seus familiares e, em muitos casos, tornam-se população de rua nas diversas cidades do Rio de Janeiro.
André Ceciliano, como senador, deve ser o porta-voz de uma nova política efetiva de desospitalização e apoio real às famílias e aos pacientes.
As famílias de pessoas com transtornos mentais e dependentes químicos são famílias de sofredores. Sofrem tanto quanto os doentes, pois não possuem condições em suas casas de ampará-los, dar-lhes os cuidados necessários. Ter um familiar com doenças mentais em casa representa uma transtorno gigantesco para as famílias, principalmente pobres e de classe média.
Transformar um símbolo da hospitalização e aprisionamento dos doentes mentais, como a Clínica Dr. Eiras de Paracambi/RJ, em uma fábrica de cultura, de educação, de arte, de dignidade humana, é a real possibilidade para que os desospitalizados e suas famílias tenham uma referência de atenção e cuidados, fazendo arte, cultura, lazer e esportes.

Essas referências de atenção e de cuidado têm que estar em todos os CAPS. Na maioria dos municípios, os Centros de Atenção Psicossociais de atenção à saúde mental são hoje precários, verdadeiros “biombos” para esconder essa dramática e quase desesperadora situação, em que as famílias são “enganadas” pelo poder público municipal. As famílias, os doentes dependem dos CAPS para se alimentar, sofrem pela falta de acolhimento, mesmo com o carinho e a dedicação de todos os servidores de um CAPS pelas famílias e pelos pacientes.
André Ceciliano deve levar para o Senado Federal, como senador eleito em 2 de outubro de 2002, essa experiência, essa pauta, a pauta da desospitalização com infraestrutura de apoio e acolhimento aos familiares e aos transtornados, a pauta da atenção prioritária às famílias, dos cuidados com as famílias, de acolhimento daqueles que sofrem de deficiências mentais com carinho, alimentação, entretenimento, arte, cultura, educação para o trabalho, artesanato, produção agrícola.
O que André Ceciliano já fez como jovem prefeito em uma pequena cidade da grande Baixada Fluminense.
Ao levar essa questão tensa e de muitos sofrimentos ao Congresso Nacional, André Ceciliano não apenas reativa uma das política do SUS, mas estará realizando um ato de acolhimento e proteção para milhares de vidas, centenas de famílias, levando esperança e perspectiva de cuidados e atenção com eficiência e dignidade.
André Ceciliano tem isso para mostrar, para propor não só para Paracambi/RJ, mas para todos os 5570 municípios, mais o Distrito Federal.

Se André Ceciliano fizer isso, de imediato, para os demais 91 municípios do RJ, além de Paracambi, já estará de bom tamanho para todos nós que vivemos no estado do Rio de Janeiro, que torcemos pelo Estado do Rio de Janeiro, que não abrimos mão do Estado do Rio de Janeiro como local de nossas vidas, de nossos destinos, de nosso tempo presente e do amanhã, o futuro de nossos presentes.
André Ceciliano tem uma inspiração que localizo em Israel Klabin como homem público, ex-prefeito e empresário líder da economia criativa e sustentável.
André Ceciliano, como Israel Klabin, têm ” Urgência de Presente” , de “Agoras”. É no presente que vivemos, é no presente que temos que ter uma efetiva atenção e cuidado com todos aqueles que sofrem de alguma doença mental, e com seus familiares.

*Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ

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