Anac mantém cassação do certificado da Voepass após queda de avião com 62 mortos

Diretoria da agência decidiu por unanimidade manter sanção contra a companhia aérea, que deixou de cumprir inspeções obrigatórias mesmo após tragédia em Vinhedo (SP)

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) decidiu nesta terça-feira (24) manter a cassação do Certificado de Operador Aéreo (COA) da companhia aérea Voepass, antiga Passaredo. A medida, tomada por unanimidade durante reunião da diretoria colegiada, foi noticiada pelo g1 e decorre de uma série de irregularidades constatadas após o acidente aéreo de 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), que deixou 62 mortos — 58 passageiros e quatro tripulantes.

A Voepass já estava com suas operações suspensas desde 11 de março, quando a Anac detectou falhas de segurança e impôs medidas corretivas. Mesmo diante do desastre e da suspensão, auditorias da agência verificaram o não cumprimento reiterado de inspeções obrigatórias em suas aeronaves.

“Será mesmo que a pena capital, a pena de cassação de um COA, que é uma pena praticamente perpétua […] imaginemos nós que uma empresa aérea mais robusta que a Passaredo tenha seu COA cassado e depois, sendo isso revisto por qualquer medida, ela vai simplesmente falir”, argumentou o advogado da empresa durante a reunião, criticando o que classificou como uma punição desproporcional.

No entanto, o relator do processo na Anac, diretor Luiz Ricardo Nascimento, destacou que a companhia operou 2.687 voos de forma irregular, ao deixar de realizar 20 inspeções obrigatórias em sete aeronaves. Segundo ele, essas inspeções são indispensáveis para garantir a segurança operacional. “A empresa descumpriu sistematicamente requisitos fundamentais”, apontou Nascimento em seu voto, que foi seguido por todos os demais diretores.

Apesar da decisão pela cassação do COA, Nascimento reduziu o valor da multa inicialmente imposta à Voepass. A agência não divulgou o novo montante.

O COA é o documento que certifica que uma empresa está habilitada a realizar operações aéreas no Brasil, após cumprir todos os requisitos técnicos e regulatórios estabelecidos pela Anac. Com sua cassação, a empresa perde o direito de operar voos regulares.

Empresa ainda atendia 16 destinos

Antes da suspensão, a Voepass atendia 16 destinos e realizava cerca de 146 voos mensais apenas a partir do Aeroporto Dr. Leite Lopes, em Ribeirão Preto (SP), sua cidade-sede, com movimentação média de 15 mil passageiros mensais, segundo a Rede Voa, administradora do terminal.

Após a interrupção das atividades da Voepass, a Latam — parceira da companhia em acordo de codeshare — informou que ofereceu “solução de viagem” sem custos para 85% dos 106 mil clientes afetados, com reacomodação em voos próprios ou reembolso. Os demais 15% ainda estão com processos de resolução em andamento.

A Anac notificou a Latam na ocasião, exigindo que assumisse a responsabilidade pelos passageiros impactados pelo cancelamento dos voos da Voepass, uma vez que vendia bilhetes da companhia por meio do acordo de compartilhamento de voos.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading