A avaliação entre aliados e interlocutores políticos de Carla Zambelli (PL-SP) é quase unânime: a extradição da deputada federal é agora apenas uma questão de tempo, diz a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A mais recente decisão da Justiça italiana, que manteve a parlamentar presa em Roma, reforçou a sensação de que não há mais saída jurídica para reverter o processo.
Zambelli está detida há mais de dois meses no complexo penitenciário de Rebibbia, nos arredores da capital italiana. A Corte de Cassação, última instância do Judiciário da Itália, rejeitou o pedido de sua defesa para converter a prisão preventiva em domiciliar, argumentando haver risco de nova fuga. A medida praticamente esgota as possibilidades de soltura até o fim do processo de extradição.
“Ela não convence mais ninguém”, diz fonte do governo
Nos bastidores, integrantes do PL e de setores do governo brasileiro avaliam que o desfecho é inevitável. “Pelo menos no Judiciário ela não convence”, afirmou uma fonte do governo à reportagem. “Eles não parecem estar interessados em defender uma criminosa que disse ser intocável na Itália.”
A fala resume o clima entre parlamentares e interlocutores do Itamaraty, que passaram a encarar a extradição como irreversível após a sequência de derrotas sofridas pela defesa da deputada. Mesmo aliados que mantinham otimismo reconhecem que o cenário se tornou “incontrolável”.
“Não há mais margem de manobra. Cada decisão é mais dura que a anterior”, comentou um integrante do PL sob reserva, ao admitir que a legenda já discute como lidar com o impacto político do caso.
Processo segue, mas sem expectativa de reversão
Apesar do pessimismo, o processo de extradição ainda segue em andamento. A Procuradoria-Geral da Itália deve emitir parecer antes que o caso retorne à Corte de Apelação de Roma, responsável por julgar o mérito do pedido brasileiro.
Se a decisão for desfavorável à parlamentar, a defesa ainda poderá recorrer à Corte de Cassação, mas as chances de reversão são vistas como remotas. Além disso, os prazos são longos: o julgamento final pode se arrastar por meses, o que deve manter Zambelli presa por tempo indeterminado.
Isolamento político e desgaste crescente
Enquanto o impasse judicial avança, a situação política da deputada também se deteriora. Na Câmara dos Deputados, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisa um processo de cassação de seu mandato, e a perda do cargo já é tratada como certa até mesmo dentro do PL.
“Zambelli é odiada por muita gente na Câmara”, disse um interlocutor próximo. “Nem o partido vai gastar capital político para defendê-la.”
A parlamentar está fora do Brasil desde que fugiu após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão, por envolvimento na invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Sua licença parlamentar, de 127 dias, expirou em 2 de outubro, o que aumentou ainda mais a pressão política.
Governo impõe sigilo sobre comunicações com a Itália
O governo brasileiro, por sua vez, mantém discrição sobre o andamento das tratativas com as autoridades italianas. A Advocacia-Geral da União (AGU) decretou sigilo de cinco anos sobre os documentos e comunicações trocadas no processo de extradição.
Segundo a AGU, as informações “dizem respeito à estratégia jurídica de defesa dos interesses do Estado brasileiro”, o que justificaria o sigilo com base no princípio do sigilo profissional da advocacia.
A decisão, porém, vem sendo questionada por especialistas em transparência pública, que consideram o caso de interesse coletivo e defendem a divulgação dos procedimentos oficiais.
Desfecho visto como questão de tempo
Com a Justiça italiana endurecendo as decisões, o governo mantendo reserva sobre as negociações e a Câmara prestes a decidir sobre seu mandato, aliados de Carla Zambelli admitem que o caso entrou em fase terminal.
O entendimento predominante em Brasília é de que a deputada dificilmente escapará da extradição. Para um assessor parlamentar, “não se trata mais de se, mas de quando ela voltará ao Brasil”.






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