O megashow gratuito da cantora Lady Gaga neste sábado (3), na Praia de Copacabana, contará com a ausência de figuras conhecidas do bolsonarismo que, no ano passado, marcaram presença na apresentação de Madonna. A informação foi divulgada pela colunista Malu Gaspar, no jornal O GLOBO. A Prefeitura do Rio estima público de 1,6 milhão de pessoas, mas a participação de políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser próxima de zero.
Durante o show da rainha do pop, em 2023, estiveram entre os presentes o governador Cláudio Castro (PL), o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten, o senador Jorge Seif (PL-SC) e o presidente do PL em Angra dos Reis, Renato Araújo. Agora, todos afirmam que não pretendem comparecer à apresentação de Gaga, que integra a turnê do álbum Mayhem, lançado em março deste ano e que, segundo a Prefeitura, deverá movimentar R$ 600 milhões na economia da cidade.
Apesar de alegarem razões pessoais ou de agenda, fontes próximas aos políticos admitem, em conversas reservadas, que a ausência está relacionada ao temor de desgaste com a base conservadora. A repercussão negativa da presença no show de Madonna — que incluiu apresentações com dançarinas seminuas e cenas de conotação sexual — ainda pesa. “A direita nos detonou”, disse um interlocutor de Bolsonaro. “Só daria para ver a Lady Gaga desta vez com peruca e disfarce.”
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) chegou a classificar o espetáculo de Madonna como “satânico” e “pornográfico” em suas redes sociais.
Justificativas oficiais variam
Fabio Wajngarten disse que passará o sábado em casa, em Maresias (SP), e tentou minimizar o evento: “Nem sabia do show”, afirmou. Renato Araújo alegou desinteresse: “Não vou porque não sou fã de Lady Gaga. E nem da Madonna. Naquela ocasião eu estava acompanhando o Fabio Wajngarten. Eu curto sertanejo”.
A assessoria do governo do Rio informou que o governador Cláudio Castro viajará com a esposa para comemorar o aniversário dela neste domingo (4), sem divulgar o destino por questões de segurança. O presidente do União Brasil, Luciano Bivar, justificou a ausência com motivos médicos: “Fiz uma cirurgia para retirar um cálculo renal de 4 milímetros. Não vou, vou ficar quietinho em casa. Serão 10 dias de repouso, mas vou ver pela televisão. Ela é uma personalidade mundial, gosto muito”.
O deputado federal Aécio Neves respondeu com ironia: “Ela (Lady Gaga) não me convidou, não”. Ao ser questionado se Madonna o havia convidado no ano anterior, respondeu: “Insistentemente”.
Figura política e defensora da diversidade
Lady Gaga, além de um dos maiores nomes da música pop mundial, é reconhecida por seu ativismo em prol da comunidade LGBTIA+ e por posições políticas contundentes. Em 2024, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, declarou apoio à democrata Kamala Harris e participou de seu último comício. Após a invasão do Capitólio, em 2021, Gaga defendeu o impeachment do então presidente Donald Trump, aliado internacional de Jair Bolsonaro. “Ele incitou terror nos EUA – precisamos de mais violência? Isso é terrorismo”, escreveu, à época, no X (antigo Twitter).
Em fevereiro de 2025, ao receber o Grammy de melhor performance em duo por sua parceria com Bruno Mars na faixa Die with a smile, Gaga aproveitou o discurso para defender a população trans, em resposta às políticas de Trump, que restringiram o reconhecimento de identidades de gênero nos EUA. “Pessoas trans não são invisíveis. Pessoas trans merecem amor. A comunidade queer merece ser celebrada. Música é amor. Obrigada”, afirmou no palco da premiação.
A postura da cantora, cada vez mais vocal em temas sociais, contrasta frontalmente com as bandeiras dos apoiadores do ex-presidente brasileiro — o que, segundo aliados, reforça o desejo de se manter longe das areias de Copacabana neste sábado.





