Pessoas próximas ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmaram nesta quinta-feira (18) ao jornal americano New York Times que ele começou a aceitar melhor a ideia de que pode não ser capaz de vencer as eleições em novembro, com rumores apontando que sua desistência pode ocorrer no próximo domingo, dia 21. A decisão teria sido tomada depois de pressões de membros do Partido Democrata — que veem sua candidatura como insustentável — e também, segundo o jornal britânico Financial Times, da ameaça de megadoadores democratas retirararem os fundos de sua campanha.
Segundo jornalistas americanos que cobrem a Casa Branca, Biden abriria mão da disputa contra o ex-presidente Donald Trump, mas sem renunciar ao cargo, completando o mandato em janeiro de 2025. Embora a vice-presidente Kamala Harris seja a principal cotada para substituí-lo, especula-se que, em caso de desistência, haja permissão para que outros candidatos também possam ser votados à cabeça de chapa.
Desde que as pressões começaram após sua participação desastrosa em um debate contra Trump há três semanas, Biden vinha repetindo que nada o faria deixar a disputa. Mas, na quarta-feira, pouco antes de ser diagnosticado com Covid-19, ele deu o primeiro sinal de reconsiderar a posição ao afirmar publicamente que poderia abandonar a corrida por motivos de saúde. Segundo um aliado ouvido pelo New York Times, “a realidade está se impondo”.
Nos últimos três dias, doadores de Wall Street a Hollywood aumentaram sua pressão sobre integrantes-chave do Partido Democrata, incluindo o líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, o líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, e a ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi, pedindo que persuadissem Biden a desistir. Citando fontes próximas a Barack Obama, o jornal americano Washington Post afirmou que o ex-presidente também afirmou que as chances de Biden diminuíram e que deveria considerar seriamente a viabilidade da candidatura.
Apesar de ser orgulhoso e teimoso, e manter uma lista mental de todas as vezes em que foi bem-sucedido após ter ouvido que não conseguiria algo, o fato de as crescentes exigências virem de seus aliados mais importantes nos últimos anos tem um peso diferente para Biden. Para um presidente que sempre valorizou seus relacionamentos no Capitólio, isso significa uma encruzilhada.
“A pressão é intransponível”, disse ao Financial Times um democrata graduado em Washington, prevendo que Biden estaria fora “até segunda-feira”. Ainda de acordo com o jornal, outras pessoas próximas à liderança da sigla disseram que poderia ser antes.
“Biden foi informado de que não há mais um dólar para arrecadação de fundos”, disse um financiador de Wall Street, citado pelo Financial Times. “Os membros do Congresso estão ficando mais agressivos. Ele simplesmente não será capaz de suportar isso”.
A vantagem nacional de Trump sobre Biden aumentou desde a tentativa de assassinato contra Trump no último sábado, de acordo com uma nova pesquisa da CBS-YouGov, colocando o ex-presidente cinco pontos à frente. Biden também ficou ainda mais para trás na maioria das outras pesquisas realizadas desde seu desastroso desempenho no debate contra Trump no mês passado.
Na Casa Branca e na campanha de Biden, os membros de sua equipe estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de Biden perder a Virgínia, sólido estado democrata há duas décadas que não era considerado um campo de batalha importante na corrida presidencial.
Quando, em uma ligação recente com Pelosi, Biden insistiu que havia pesquisas que mostravam que ele poderia vencer, a ex-presidente da Câmara citou sondagens que ela mesma encomendou que mostravam o contrário — em um desafio direto ao presidente. Na semana passada, Schumer e Jeffries disseram a Biden em particular que os parlamentares estão profundamente preocupados com o destino de suas próprias candidaturas no Congresso caso Biden continuasse na disputa.
Até o momento, apenas 21 parlamentares democratas se manifestaram publicamente a favor da saída Biden, mas muitos reconheceram em particular que ele deveria desistir. O mais recente democrata de destaque a se pronunciar em público foi o deputado Jamie Raskin, de Maryland, um membro importante do comitê da Câmara que investigou o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. Uma carta enviada por ele a Biden em 6 de julho, divulgada pelo The New York Times nesta quinta, comparou o presidente de 81 anos a um arremessador de beisebol cansado. “Tudo em que acreditamos está em jogo nos próximos quatro meses e meio”, escreveu Raskin.
Apesar das informações divulgadas pela imprensa americana, autoridades da Casa Branca negaram que o presidente estivesse cogitando desistir, classificando os comentários como resultado de uma campanha coordenada para aumentar a pressão sobre Biden. Embora tenham dito que o presidente leva a sério as preocupações, afirmam que não mudou de ideia e deixou claro para assessores nas últimas 24 horas que continua determinado a permanecer na disputa.
No momento, Biden está isolado em sua casa de férias em Rehoboth Beach, no estado de Delaware, recuperando-se da contaminação pelo coronavírus. Nesta quinta-feira, seu médico disse que ele não está com febre, mas apresenta sintomas respiratórios.
Com informações de O Globo.





