Alerta na Zona Norte do Rio: gatos são encontrados mortos com suspeita de envenenamento

Colônia de gatos em Vila Isabel enfrenta mortes suspeitas após descoberta de ração contaminada com pó escuro, possível chumbinho

Pelo menos dez gatos de uma colônia que vive no antigo Jardim Zoológico, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio de Janeiro, morreram entre os dias 14 e 25 de maio em circunstâncias suspeitas, despertando um alerta entre protetores e moradores locais. A informação foi divulgada pela Rádio Tupi. Segundo o grupo voluntário que cuida dos animais há anos, a sequência de mortes sem sinais aparentes de violência pode estar ligada ao envenenamento com chumbinho — um pesticida clandestino e proibido no Brasil por sua alta toxicidade.

O sinal de alerta aumentou após a descoberta, no local onde os gatos se alimentam, de sacos contendo restos de ração misturados a um pó escuro e pequenos grânulos pretos.

“Acreditamos que seja chumbinho, mas não temos para onde mandar para análise”, revela uma protetora que acompanha a colônia e prefere não se identificar.

A falta de uma análise toxicológica oficial dificulta a comprovação e o encaminhamento para uma investigação formal, que poderia ajudar a evitar novas mortes.

O cenário é desesperador para os voluntários que dedicam tempo e recursos próprios para cuidar dos gatos abandonados. Eles praticam o método CED — captura, esterilização e devolução — e realizam o pós-operatório nas próprias casas, além de promover adoções responsáveis em parceria com ONGs e pet shops locais.

“É muito triste ver esses animais, que já sofrem com abandono e fome, agora sendo vítimas de uma ameaça cruel e invisível”, lamenta a protetora.

O uso de chumbinho, apesar de proibido, continua sendo um grave problema ambiental e de saúde pública no país. Essa substância é altamente tóxica e causa morte rápida em animais e seres humanos. A legislação brasileira, com a Lei de Crimes Ambientais e a Lei Sansão, prevê penas severas para quem pratica maus-tratos contra animais, incluindo o uso de venenos ilegais.

Enquanto buscam ajuda para realizar a análise do material encontrado e medidas para proteger os animais restantes, os protetores pedem apoio da população e das autoridades.

“Esses gatos não fazem mal a ninguém. Queremos apenas protegê-los e evitar que mais vidas sejam perdidas”, conclui a ativista.

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