Alerj quer interditar boate na Lapa onde uma turista teria sofrido estupro coletivo

Vítima, que escreveu uma carta para relatar o fato, procurou a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher para fazer a denúncia. Após a repercussão do caso, uma segunda mulher também acionou o colegiado para contar uma história semelhante

A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) vai propor a interdição da boate Portal Club, localizada no bairro da Lapa, na cidade do Rio. O local foi denunciado por pelo menos duas mulheres que procuraram a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher para relatar que foram vítimas de estupro coletivo no estabelecimento.

A proposta foi sugerida pela deputada Tia Ju (Republicanos), integrante da Mesa, nesta quinta-feira (04/04), ao ouvir os fatos descritos em plenário pela presidente do colegiado, Renata Souza (Psol). A psolista se emocionou ao ler a carta que a turista sul-americana, de 25 anos, a primeira a buscar ajuda na Alerj, na terça-feira (02), escreveu para contar o episódio

Hoje, após a repercussão do caso, outra mulher procurou a Comissão para denunciar um estupro coletivo, na mesma boate, em novembro do ano passado. O caso da turista foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Segundo Renata, a jovem contou que, após conhecer um rapaz na boate, aceitou ir com ele a um espaço chamado “Dark Room” (em tradução literal, quarto escuro), dentro da boate. Neste local, que ela imaginou que seria uma pista de dança, teria sido estuprada sem qualquer chance de defesa.

“Aconteceu o que foi reportado, que eu realmente não consigo nem repetir. Não sei como deixei aquele quarto escuro. Quando recuperei um pouco a consciência, estava sentada em uma cadeira na boate chorando e gritando com minha amiga de um lado e uma segurança do outro”, diz um trecho da carta lida pela parlamentar, que logo depois começou a chorar.

Os deputados Carlos Minc (PSB), Martha Rocha (PDT), Luiz Paulo e Átila Nunes, ambos do PSD, e Flávio Serafini (Psol), se revezaram ao microfone para repudiar o ocorrido e acalmar a parlamentar.

“Temos que ver que ação a Assembleia pode fazer, porque precisamos interditar imediatamente. Não temos esse poder, mas podemos articular isso. Porque precisamos dar uma resposta. Acho que vale pensarmos numa ação conjunta, inclusive de ação dessa Mesa Diretora, de provocação dos poderes para interditar, imediatamente”, reagiu Tia Ju, que presidia o expediente. E completou:

“Eu quero até fazer uma provocação aqui a partir da fala e desse fato trazido pela Deputada Renata. A prefeitura do Rio, o Departamento de Licenciamento, deve fazer também uma visita a esse estabelecimento e interditá-lo provisoriamente para averiguação, pois já existe o registro da queixa do ocorrido. Aliás, já são dois casos ocorridos nessa boate, não é possível que esse espaço monstruoso continue aberto”.

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