Um dia após a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) reconhecer oficialmente o estado de calamidade financeira na área da saúde pública de Volta Redonda, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) voltou a ser alvo de fiscalização ambiental. Nesta sexta-feira (28), o deputado Jari Oliveira (PSB), presidente da Comissão de Saneamento Ambiental, vistoriou as instalações da Usina Presidente Vargas, com apoio técnico do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
A ação teve como objetivo verificar as medidas adotadas pela CSN para mitigar os impactos da poluição atmosférica na cidade e cobrar novas providências da companhia. “Volta Redonda não pode continuar sendo marcada pela poluição. É urgente que a CSN adote medidas reais e eficazes para reduzir os impactos ambientais que afetam diretamente a saúde da população”, afirmou o parlamentar.
Durante a inspeção, Jari e os técnicos ambientais visitaram áreas estratégicas da usina, como as unidades de sinterização 2 e 4, onde são realizados processos de aglomeração de minérios. Também foram solicitadas informações detalhadas sobre os investimentos em equipamentos de controle de emissões, monitoramento de partículas no ar e ações de mitigação de impactos.
Representando o Ibama, a analista ambiental Ilona Sá informou que será elaborado um relatório técnico da vistoria, que será encaminhado às Comissões de Saneamento Ambiental e de Meio Ambiente da Alerj. O deputado também destacou o apoio institucional à recomendação conjunta do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que solicitam a atuação supletiva do Ibama na fiscalização da unidade industrial.
“Essa luta é antiga, e estamos aqui para dar continuidade a ela com responsabilidade e compromisso. A população de Volta Redonda merece respeito e um ambiente saudável para viver”, reforçou Jari, que ainda lembrou ter destinado, em 2024, uma emenda impositiva de R$ 900 mil ao Inea para aquisição de equipamentos de monitoramento da qualidade do ar e da água.
Durante a visita, representantes da CSN apresentaram algumas das medidas em curso para modernizar o sistema de controle ambiental da usina. Entre as ações está a instalação de novos filtros na Sinterização 2, com capacidade para tratar até 1,6 milhão de metros cúbicos de gases por hora. Segundo a empresa, o objetivo é reduzir significativamente a emissão de material particulado, conhecido como pó preto.
A CSN informou ainda que o segundo conjunto de filtros, voltado à Sinterização 4, deve ser entregue até o início de agosto. Já o terceiro conjunto, que atenderá à Sinterização 3, está previsto para entrar em operação em 2026.
A comissão parlamentar sinalizou que novas ações de acompanhamento serão realizadas nos próximos meses, como parte de um esforço conjunto para garantir transparência e efetividade na atuação ambiental da empresa. O tema deve continuar em pauta na Alerj, sobretudo diante da crise na saúde pública que, segundo parlamentares e autoridades locais, estaria relacionada, em parte, às condições ambientais do município.





