Aldo Rebelo renega passado e afirma que vai apoiar Ricardo Nunes para a prefeitura de São Paulo

Ex-ministro em governos do PT vai contra apoio do PDT, seu atual partido, a Guilherme Boulos

Aldo Rebelo, filiado ao PDT e já tendo ocupado ministérios nos governos do PT, afirmou nesta quarta-feira (17) que não há chance de apoiar o deputado federal Guilherme Boulos (Psol) na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Seu partido anunciou aliança com o pré-candidato na semana passada.

De acordo com informações publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo, Rebelo cita a Copa do Mundo de 2014 como justificativa para sua decisão. Segundo ele, Boulos fez oposição, na época, à realização do evento esportivo no país, quando Rebelo era ministro do Esporte do governo Dilma e foi um dos responsáveis pelo torneio.

Enquanto rechaça subir no palanque de Boulos, o ex-ministro se encontrou nesta terça-feira com o atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), principal adversário de Boulos na disputa eleitoral. Nunes publicou uma foto com o visitante, chamando-o de “amigo”.

Rebelo relembrou as manifestações convocadas por diversas organizações, entre elas o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que Boulos liderava, para protestar contra a remoção de moradias para as obras da Copa e os gastos na realização do evento.

Os protestos, que ganharam força com o impulso dado pelas manifestações de junho de 2013, assombraram os organizadores. Em junho de 2014, por exemplo, um ato organizado pelo MTST de Boulos nos arredores do estádio do Morumbi, onde haveria um amistoso da seleção brasileira, ameaçou impedir os torcedores de chegarem ao local da partida — mas acabou suspenso após sinalização das autoridades pelo diálogo.

Ainda que Rebelo tenha atribuído a Boulos a campanha “Não vai ter Copa”, aliados do psolista dizem que o lema estava associado aos anarquistas e autonomistas que tomavam as ruas do país naquela época, no rescaldo dos protestos de 2013. O MTST, dizem, integrava um comitê mais amplo, inclusive com universidades, contra as obras da Copa e por moradia.

Pertencente a uma corrente ultranacionalista do PDT, Rebelo tem se afastado de partidos de esquerda como Psol e PT nos últimos anos. Então presidente do Psol, Juliano Medeiros chegou a chamá-lo de “fascista” em 2022, em resposta ao comentário de um usuário no Twitter que pedia um candidato de esquerda para disputar o governo de São Paulo contra a concentração de nomes de direita.

A baixa identificação com pautas progressistas de lideranças de esquerda mais jovens leva bolsonaristas a encarar Rebelo com simpatia. O ex-ministro é seguido no Instagram por nomes como a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), amiga da família Bolsonaro, o deputado estadual Guto Zacarias (União-SP) e o ex-ministro do Turismo de Jair Bolsonaro, Gilson Machado (PL-PE).

Alguns de seus posicionamentos soam similares aos feitos por bolsonaristas. Declarações como “ONGs barram o avanço do Brasil”, “produtores rurais são injustamente tratados como criminosos” e “o bandido precisa voltar a ter medo da polícia” encontram mais eco à direita do que à esquerda.

Policiais e militares também costumam simpatizar com o ex-ministro de Lula e de Dilma. Em cerimônias de corporações policiais, por exemplo, não é incomum notar a presença de Rebelo. Além de ter comandado a pasta dos Esportes e da Ciência e Tecnologia, ele chefiou as Forças Armadas no Ministério da Defesa.

Com informações de O Globo.

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