Alcolumbre afirma que irá promulgar projeto que amplia número de deputados caso Lula não sancione

Com resistência do Planalto, presidente do Senado diz que vai oficializar criação de 18 novas cadeiras na Câmara,

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta terça-feira (8) que irá promulgar a lei complementar que amplia o número de deputados federais de 513 para 531, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não sancione o texto dentro do prazo legal. A proposta foi aprovada pelo Senado no último dia 25, com placar apertado de 41 votos a 33, após já ter passado pela Câmara com ampla maioria (361 a 36).

Segundo Alcolumbre, caso a sanção não ocorra até o fim do prazo, ele mesmo tomará a dianteira: “Se chegar às 10h (do dia final), vai ser promulgado às 10h01”, declarou ao chegar ao Congresso.

Apesar da articulação para a aprovação da medida, o governo federal dá sinais de resistência. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que considera “pouco provável” que Lula sancione o aumento.

Impacto orçamentário e limites legais

O acréscimo de 18 cadeiras na Câmara pode gerar um impacto estimado de R$ 64,6 milhões por ano. No entanto, emenda apresentada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) prevê que os gastos relacionados ao mandato dos novos parlamentares sejam mantidos dentro do orçamento atual, tomando o ano de 2025 como referência. Dessa forma, a ampliação de assentos não resultaria em aumento formal de despesas para a próxima legislatura.

Outra emenda, do senador Beto Faro (PT-PA), impede que o número de cadeiras seja alterado com base em critérios diferentes do Censo realizado pelo IBGE, reforçando a exigência de dados oficiais para eventuais ajustes futuros.

Ainda assim, a medida pode provocar efeito cascata, alterando composições de assembleias legislativas estaduais e o volume de emendas parlamentares. Neste ano, o Congresso tem autorização para liberar R$ 53,9 bilhões em emendas — um instrumento político cada vez mais robusto e estratégico para os parlamentares.

Fundo eleitoral e disputa federativa

A proposta de ampliação dos assentos surgiu como alternativa para evitar a redistribuição de cadeiras com base no novo Censo Demográfico, que indicaria a perda de representantes para alguns estados. Caso a quantidade total fosse mantida em 513, estados como Paraíba e Rio de Janeiro perderiam espaço — uma possibilidade que mobilizou a articulação para aprovar o aumento total de vagas, evitando desgaste entre parlamentares e governadores.

A proposta, de autoria da deputada Dani Cunha (União-RJ), garante que nenhum estado perca cadeiras, mas que oito unidades da federação — Santa Catarina, Pará, Amazonas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Norte — ganhem mais parlamentares, proporcionalmente ao crescimento populacional.

Sessão esvaziada e articulação política

A sessão que aprovou o projeto no Senado ocorreu com presença reduzida de parlamentares, devido às festas juninas e ao modelo semipresencial de votação. Ciente da margem apertada, Alcolumbre chegou a deixar a presidência da sessão temporariamente para votar a favor da matéria.

A urgência do projeto foi aprovada por 43 votos a 30, abrindo caminho para sua apreciação no mesmo dia. Segundo o senador, a proposta já foi analisada do ponto de vista orçamentário pela Câmara e não implica aumento de gastos: “O mais correto é fazer uma ampliação em vários estados”, defendeu no início de junho.

A Constituição estabelece que as emendas individuais devem se limitar a 2% da receita corrente líquida do ano anterior à proposta de orçamento. Para ampliar esse teto e acomodar mais parlamentares com emendas próprias, seria necessária a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Agora, a decisão está nas mãos do presidente Lula, que terá até meados de julho para sancionar ou vetar o projeto. Se optar pela omissão, Davi Alcolumbre já avisou: ele mesmo oficializará a ampliação do número de deputados.

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