Alckmin condena ideia de aumentar taxa de juros para combater inflação

Vice-presidente defende exclusão de alimentos e energia no cálculo do índice

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, criticou a especulação de uma nova alta da Selic para conter os efeitos inflacionários da alta do dólar. Segundo Alckmin, o aumento da taxa básica de juros não seria eficaz para combater os principais fatores de pressão sobre a inflação no Brasil, como alimentos e energia.

“Em relação à questão da inflação, eu gosto do modelo norte-americano, do Fed – o banco central americano – que tem duas missões. Uma é emprego, estimular a economia. A outra é preço, evitar a inflação. Mas ele não leva em consideração dois fatores, dois componentes: alimento e energia”, afirmou.

Alckmin argumentou que eventos climáticos, como enchentes no Sul e secas no Centro-Oeste, são os principais responsáveis pela alta nos preços dos alimentos. Ele também destacou que o custo da energia, como o petróleo, é definido por fatores globais e não sofre influência direta de políticas monetárias internas. “Não adianta eu aumentar os juros. Não vai chover ou deixar de chover por causa disso. Você só prejudica a economia e encarece o custo do capital. O outro é a energia. Preço de petróleo é uma questão política mundial”, completou.

Sobre política monetária, Alckmin defendeu que alimentos e energia sejam excluídos do cálculo da inflação, como no modelo americano. “Por isso, não adianta aumentar os juros. Não é para baixar o preço do petróleo ou da energia. Então, ele retira esse cálculo. Aí sim você tem uma cesta melhor para avaliar a política monetária para evitar inflação”, explicou.

Dólar e Mercosul
Alckmin também comentou a alta do dólar, que atingiu R$ 6,06 nesta segunda-feira (2), e reforçou a importância de um câmbio flutuante, conforme declarado pelo futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Segundo Galípolo, o sistema flutuante é essencial para a estabilidade econômica e será mantido: “Está cumprindo o seu papel muito bem, e a gente segue só fazendo atuação em casos de desfuncionalidade”.

Por fim, o vice-presidente manifestou otimismo em relação ao acordo entre Mercosul e União Europeia. “A posição do Brasil e do Mercosul é favorável. Nós entendemos que é um ganha-ganha bom para o Mercosul, para a União Europeia e para o mundo, fortalecendo o multilateralismo”, afirmou.

Com informações de SBT News

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