A Polícia Civil de São Paulo está à procura do homem (foto) que agrediu o escritor Marcelo Rubens Paiva durante o desfile do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, no último domingo (23), na região central da capital. Paiva, de 65 anos e cadeirante, foi atacado por um indivíduo que arremessou uma lata de cerveja contra ele e depois o atingiu no rosto com uma mochila.
Até o momento, o agressor não foi identificado, mas imagens registradas no momento do ataque podem auxiliar na investigação. A Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) afirmou que nenhuma ocorrência foi registrada formalmente sobre o caso, mas a polícia já trabalha para localizar o responsável. Além disso, a SSP incentivou Marcelo Rubens Paiva a procurar uma delegacia para oficializar a denúncia.
Paiva, que é filho do deputado cassado Rubens Paiva — raptado, torturado e morto pela Ditadura Militar em 1971 —, estava no bloco como porta-estandarte, à frente do caminhão de som. O desfile deste ano homenageou o filme “Ainda Estou Aqui”, baseado no livro homônimo do escritor e dirigido por Walter Salles. A produção disputa o Oscar em três categorias.
Repercussão política e institucional
O ataque gerou reação no meio político. O senador Humberto Costa (PT-PE) atribuiu a agressão ao discurso de ódio da extrema direita. “Desrespeitar e agredir uma voz como a de Marcelo Rubens Paiva é um ataque contra todos que lutam por democracia”, afirmou.
A deputada Jandira Feghali (Psol-RJ) também condenou o episódio. “A agressão covarde sofrida por Marcelo escancara o ódio daqueles que não toleram a alegria e a diversidade”, disse. O deputado Ivan Valente (Psol-SP) classificou o ato como um “verdadeiro absurdo”.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) criticou o ambiente de intolerância nas redes sociais, que, segundo ele, fomenta ataques como esse. “Não existe diálogo, não existe respeito. É constantemente ódio, em sua forma mais bruta”, declarou.
O Ministério da Cultura (MinC) divulgou uma nota oficial repudiando a violência. “Além de injustificada, a agressão ocorreu em um evento que celebra a cultura, a ocupação do espaço público e o respeito mútuo”, diz o comunicado. A ministra Margareth Menezes também se manifestou: “Nós, do MinC, repudiamos todo e qualquer ato de violência e nos solidarizamos com esse grande nome da nossa história e cultura.”
A Polícia Civil pede que testemunhas colaborem com informações que possam levar à identificação do agressor.
Com informações da Revista Fórum
O escritor Marcelo Rubens Paiva, autor do livro “Ainda Estou Aqui”, foi agredido enquanto desfilava no bloco Acadêmicos do Baixo Augusta em SP. Uma mochila foi arremessada em sua direção e lhe atingiu o rosto.
— Comunicarmais (@ComunicarmaisBA) February 24, 2025
Seu livro foi adaptado no filme homônimo, que concorre ao Oscar. pic.twitter.com/Ct7HN8fh7x
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