O Consulado-Geral da República Popular da China no Rio promoveu um encontro com a direção e integrantes da equipe do Agenda do Poder, nesta segunda-feira (22), para discutir a percepção dos brasileiros sobre a China, as transformações na comunicação contemporânea e os caminhos para ampliar o intercâmbio cultural, econômico e educacional entre os dois países.
A reunião foi conduzida pelo cônsul-geral adjunto Wang Haitao, que demonstrou interesse em compreender quais temas relacionados à China despertam maior curiosidade entre os brasileiros e de que forma essas pautas poderiam alcançar o público nacional.
Durante a conversa, Wang destacou a importância do diálogo entre os povos e da construção de relações baseadas na cooperação.
“Nosso país quer desempenhar um papel mais significativo. O Brasil e a China são países de desenvolvimento. Como nosso presidente disse, todos os países desse planeta ficam no mesmo barco grande, somos da mesma frota de navios. Portanto, precisamos construir em conjunto um futuro compartilhado. Precisamos decidir as coisas em conjunto”, afirmou.
Aproximação por meio da cultura
Wang também ressaltou o potencial de aproximação por meio da cultura e questionou os participantes sobre eventuais barreiras de comunicação entre chineses e brasileiros.
“A cultura chinesa tem coisas que os brasileiros podem ter interesse ou curiosidade”
Wang Haitao, cônsul-geral adjunto da China no Rio
O editor-executivo de Agenda do Poder, Ricardo Bruno, apontou áreas que já aproximam os dois países.
“São várias frentes: a tecnologia com os produtos chineses, que a população em geral tomou conhecimento. A frente educacional, com a difusão do mandarim. Esse conjunto permite uma mudança a longo prazo”, afirmou.

O coordenador Marcelo Macedo avaliou que existe interesse mútuo entre as duas sociedades.
“Acredito que haja uma curiosidade dos dois lados, tanto do brasileiro em conhecer mais a cultura chinesa quanto dos chineses conhecerem mais a cultura brasileira. E tem uma coisa em comum, que é a admiração muito grande que os brasileiros têm pela China: o esporte. A China, nas Olimpíadas, fica sempre lá em cima no quadro de medalhas. São culturas muito diferentes, mas que despertam interesses mútuos entre os dois países”, disse.
Tecnologia, educação e desenvolvimento
Ricardo também destacou que o crescimento da influência chinesa no cenário internacional tem despertado atenção dos brasileiros.
“O brasileiro quer e tem curiosidade em aprender e se aproximar um pouco mais, até para você quebrar essa situação de hegemonia absoluta com os Estados Unidos. Quando a China quebra essa hegemonia, isso traz uma curiosidade natural”, avaliou.
Na mesma linha, o coordenador de conteúdo Thiago Antunes observou uma mudança gradual na percepção da sociedade brasileira sobre o papel da China no mundo.
“No contexto político-social, o brasileiro já começa a ver que não existe um domínio exclusivamente americano, como era nos anos 80 e início dos anos 90. Já começa a ter uma troca de percepção em relação à importância da China nesse cenário”, afirmou.
Eventos culturais e investimentos
Questionado sobre quais iniciativas poderiam ampliar a presença da China junto ao público brasileiro, Ricardo Bruno defendeu a realização de eventos e ações capazes de aproximar a população da realidade chinesa.

“A própria promoção de alguns eventos culturais é uma maneira de levar a China aos brasileiros. São eventos culturais, eventos econômicos mostrando os investimentos da China no Brasil. Mostrar aquilo que a China está ajudando o Brasil nesse processo de desenvolvimento. E, por conseguinte, acho que é importante mostrar também a ação da China no Rio. Eventos culturais, investimentos, enfim, todas as ações. Isso seria importante”, disse.
A transformação da comunicação
Outro tema que ocupou parte da conversa foi a transformação do consumo de informação e o impacto das redes sociais sobre os meios tradicionais de comunicação.
Ao abordar as mudanças provocadas pelas plataformas digitais, Ricardo destacou que a velocidade da circulação de informações exige ainda mais responsabilidade dos veículos de imprensa.
“A rede social exige que se tenha rigor na apuração e na publicação das informações, porque senão você vai ser desmoralizado nas redes sociais”, afirmou.
Segundo ele, as novas plataformas alteraram profundamente a forma como a população acompanha o noticiário.
“A rede social reduziu a importância dos veículos tradicionais significativamente. Hoje em dia, a nova geração toma conhecimento da notícia através das redes sociais”, concluiu.
Trabalho em conjunto
Ao final do encontro, o diplomata reforçou a defesa da convivência pacífica entre as nações.
“Nós não gostaríamos de ter conflitos entre diferentes povos. Precisamos dar mais atenção à harmonia e à convivência pacífica”, declarou.
Além dos temas ligados à comunicação, o encontro também abordou questões relacionadas ao cenário político brasileiro, à polarização ideológica, às transformações da sociedade contemporânea e às perspectivas das relações entre Brasil e China nos próximos anos.






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