Aeroporto do Galeão projeta aumento do número de passageiros para 16 milhões no próximo ano após alta de 80% em 2024  

Apesar desse crescimento, o número ainda fica abaixo dos 17,4 milhões de 2017 e distante da capacidade do aeroporto, que é de 35 milhões de viagens anuais

Após a adoção de medidas estratégicas, como as restrições ao movimento no Santos Dumont a partir de outubro do ano passado, o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) está mostrando sinais de recuperação. Este ano, o número de passageiros deve chegar a 14,2 milhões, um aumento de 80%, com um recorde histórico previsto para o fluxo de viajantes internacionais, estimado em 4,6 milhões. Além disso, foram adicionados 12 novos destinos nacionais aos 14 já existentes, e novas rotas para Dallas, Estados Unidos, bem como mais viagens para Miami, Nova York e Buenos Aires, foram confirmadas.

O plano de voo da concessionária RIOgaleão para 2025 é alcançar 16 milhões de usuários, um aumento de 12,6%. Apesar desse crescimento, o número ainda fica abaixo dos 17,4 milhões de 2017 e distante da capacidade do aeroporto, que é de 35 milhões de viagens anuais.

Para que o Galeão atinja o movimento projetado, usuários e especialistas defendem a criação de novos quartos de hotéis próximos ao aeroporto, mais eventos no Rio de Janeiro que atraiam turistas, e a implementação de um hub doméstico e stopover. A segurança pública nas vias de acesso ao Tom Jobim também é um ponto importante.

— Essas melhorias não acontecem de uma hora para outra. Elas vão acontecendo gradualmente. Por exemplo, a coordenação dos aeroportos, com voos domésticos sendo transferidos do Santos Dumont para o Galeão, começou há apenas nove meses. Mas já tivemos um aumento significativo (29%) nas cargas nacionais chegando ao Tom Jobim — afirmou Chicão Bulhões, secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Econômico. Ele destacou que, apesar das mudanças, o número total de passageiros nos dois aeroportos aumentou.

No Santos Dumont, o número de pousos e decolagens caiu de quase 11 mil em setembro do ano passado para 6,3 mil em maio deste ano, e a quantidade de passageiros foi reduzida pela metade. No mesmo período, os voos domésticos no Tom Jobim aumentaram de 3,2 mil para 6,3 mil, e o número de passageiros nacionais mais que dobrou, refletindo positivamente no transporte internacional.

— Voos domésticos alimentam voos internacionais. Para cada seis nacionais, temos um internacional — explicou Alexandre Monteiro, presidente do RIOgaleão.

Zelena Ferreira, moradora de Santa Teresa, disse que a migração de aeroporto aumentou seu tempo de trânsito, mas ela não vê isso como um transtorno: — Levo mais tempo para chegar ao aeroporto, mas a comodidade é maior. O Santos Dumont era muito lotado. O que acho ruim no Galeão é ter que lidar com taxistas me abordando. Hoje (quarta-feira) vim buscar minha sobrinha que está chegando de Belém. Contratei um Uber para me trazer e nos esperar fora do aeroporto. Quando ela desembarcar, o motorista virá nos buscar.

O jornalista Fernando Morais, que tem a aviação como hobby, comemorou a retomada do Tom Jobim: — Frequento o Galeão desde os anos 80, para viajar ou para ver o clima e os aviões. Acompanhei a triste decadência dos últimos tempos. Este mês, fui para São Paulo a trabalho e constatei que o aeroporto dá sinais de recuperação.

Por outro lado, a agente de viagens Cyntia de Oliveira reclamou da falta de um hotel com bom preço ou de uma poltrona confortável paga, para que passageiros em trânsito possam descansar entre um voo e outro: — Vim cedo de Vitória porque o voo era R$ 1.600 mais barato, e vou ficar até tarde da noite para embarcar para a Suíça de férias. Guarulhos tem vários hotéis próximos com day use a preços acessíveis. Aqui, cobram mais de R$ 400.

O Visit Rio Convention Bureau relaciona a recuperação do Galeão aos eventos na cidade. A entidade estima um aumento de 25% na agenda de eventos este ano, incluindo Rock in Rio, a cúpula do G-20 e encontros internacionais de aviação, restaurantes e aduanas, entre outros.

— Para melhorar a experiência do visitante e para que ele tenha vontade de voltar, segurança e transporte são temas cruciais, com impacto direto sobre o setor — afirmou Carlos Werneck, presidente do Visit Rio, que também defende uma maior conectividade dos passageiros que desembarcam no Rio com outros destinos nacionais e internacionais.

A segurança nos acessos ao Galeão ainda é uma preocupação, mas a criação de uma faixa exclusiva na Linha Vermelha e uma linha expressa de ônibus entre o aeroporto e o Terminal Gentileza facilitaram a chegada ao Aeroporto Internacional, na Ilha do Governador.

— Não há turismo sem transporte — observou Alfredo Lopes, presidente do Conselho da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio (ABIH-RJ).

Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, concorda e afirma que não é o aeroporto que atrai passageiros, mas sim os negócios, o turismo e a segurança pública.

Otávio Leite, consultor da Fecomércio RJ, lembrou de uma pesquisa feita pela federação antes da migração dos voos do Santos Dumont, que mostrava que 76% dos passageiros aceitavam pegar o avião no Tom Jobim. Ele ressaltou, no entanto, que para o Galeão atingir o que foi projetado é necessário um esforço conjunto público e privado para atrair visitantes para lazer, trabalho e congressos.

— Apostar na construção de stopover, nacional e internacional, é uma boa medida. Articular com grandes companhias internacionais a implementação de novos voos, investindo em promoção e marketing, é outra — sugeriu Leite.

A companhia aérea portuguesa TAP confirmou estar em conversações com a prefeitura e o governo para criar no Rio um programa de stopover semelhante ao que tem na Europa. A ideia é envolver hotéis e restaurantes para garantir melhores preços e atrair visitantes durante a baixa temporada.

No momento, apenas a Emirates oferece stopover no Rio em seus voos para Buenos Aires. No entanto, Alexandre Monteiro disse que está em conversas com outras companhias aéreas, inclusive brasileiras, sobre a possibilidade de novas “escalas estendidas”. Ele também mencionou a ideia de criar um hub doméstico.

Quanto à manutenção e aos investimentos, Monteiro anunciou que este ano os gastos da concessionária devem ficar entre R$ 80 milhões e R$ 90 milhões. Para 2025, a previsão é de investimentos entre R$ 130 milhões e R$ 140 milhões. Entre os investimentos de parceiros, destaca-se a intenção de construir mais um hotel próximo ao aeroporto, com 200 quartos e um custo de R$ 100 milhões, previsto para iniciar em 2025.

Além disso, há pedidos de aumento das salas VIP, incluindo da Flybondi, uma das quatro companhias low-cost instaladas no aeroporto que transportam 20% dos passageiros internacionais. Existe também a possibilidade de a Turkish Airlines começar a operar no Tom Jobim em 2025.

Apesar do aumento de voos e passageiros, quem circula pelo aeroporto ainda se depara com o Terminal 1 fechado por tapumes. No entanto, Monteiro explicou que um terço das pontes de embarque nessa parte do aeroporto está funcionando e que, devido ao aumento do movimento, todas as pontes devem ser utilizadas este mês.

— O Rio é o segundo maior mercado, a segunda maior economia e o cartão-postal do Brasil. Não existe infraestrutura aeroportuária disponível no país em um local com as características do Rio. Estamos sempre conversando para trazer novas empresas e novos voos para cá — concluiu Monteiro.

Com informações de O Globo.  

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