Aeronaves das Forças Armadas dos EUA são vistas ao norte da Venezuela e alertam para novo risco de ingerência sobre a América Latina

Movimentação intensifica pressão de Washington e reacende debate sobre intervenção militar na região

Duas aeronaves das Forças Armadas dos Estados Unidos foram registradas nesta quarta-feira (20) em operação no mar do Caribe, próximo à costa da Venezuela. Segundo analistas militares, os voos fazem parte de uma ofensiva do governo de Donald Trump contra o narcotráfico na América Latina.

As movimentações ocorrem em um contexto de endurecimento da política externa dos EUA. Após classificar cartéis latino-americanos como “organizações terroristas”, a gestão republicana prometeu empregar poderio militar para combater o tráfico de drogas, apontando a Venezuela como um dos principais responsáveis pela produção e pelo transporte das substâncias ilegais até a fronteira dos EUA.

Uma das aeronaves vistas foi um P-8 Poseidon, da Marinha, identificado pelo código MADFOX33. O avião, versão militar do Boeing 737-800 adaptada para patrulha marítima e submarina, decolou de San Juan, em Porto Rico, e realizou voos circulares ao norte de Aruba, a algumas centenas de quilômetros do litoral venezuelano.

Capaz de detectar alvos na superfície e submersos, o P-8 Poseidon pode lançar torpedos, mísseis antinavio, minas e sonoboias. De acordo com fontes ligadas à operação, a aeronave vem sendo utilizada para monitorar semi-submersíveis, embarcações discretas e de difícil detecção, comumente empregadas por traficantes para levar grandes quantidades de drogas das áreas produtoras até o México, de onde seguem por via terrestre até os Estados Unidos.

Outra aeronave, um Boeing E-3 Sentry da Força Aérea dos EUA, também foi vista na região, identificada pelo indicador THUNDER07. O modelo, derivado do Boeing 707, é equipado com sistemas avançados de radar aéreo e utilizado para localizar e rastrear possíveis alvos de interesse.

A presença simultânea dos dois aviões, com capacidades complementares, reforça a estratégia dos Estados Unidos de supostamente ampliar a vigilância sobre rotas utilizadas por organizações criminosas no Caribe e pressionar diretamente o governo venezuelano, acusado por Washington — sem provas — de conivência com o narcotráfico.

A nova política de segurança estadunidense invoca mais um capítulo de ingerência militar dos EUA na América Latina. Ao invés de reduzir o narcotráfico, ações unilaterais podem agravar tensões diplomáticas, fragilizar a soberania de países da região e perpetuar uma lógica de intervenção que marcou a relação histórica dos EUA com seus vizinhos ao sul.

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