Relatório do Cenipa divulgado nesta quarta-feira (6) revelou uma série de falhas graves na torre de controle do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, que resultaram na colisão de um avião da Gol com um veículo de serviço durante tentativa de decolagem. O episódio ocorreu em 11 de março e envolveu um Boeing 737-8 MAX com 103 passageiros e 6 tripulantes.
O avião, que se preparava para decolar com destino a Fortaleza, atingiu uma picape que realizava manutenção na pista 10, interditada no momento do acidente. Apesar dos danos significativos na aeronave e da destruição do veículo, ninguém se feriu gravemente. Duas pessoas no carro sofreram apenas escoriações leves. Uma manobra de última hora realizada pelos pilotos evitou uma tragédia maior.
Falhas humanas e vigilância comprometida
O Cenipa concluiu que a decolagem foi liberada sem a devida verificação visual da pista por parte do controlador de tráfego aéreo, que ignorou o alerta eletrônico de interdição. Além disso, o sistema Tatic, que indicava a pista como bloqueada, foi desbloqueado manualmente sem confirmação da saída do veículo de manutenção.
As imagens da sala de controle revelam que o supervisor da torre, mesmo fora de seu turno, ainda exercia funções no momento do acidente — e estava usando o celular no instante da liberação da decolagem, o que contribuiu para a falta de vigilância.
Cultura permissiva e informalidade
O relatório destaca um ambiente de “informalidade excessiva” e “tolerância ao uso de celulares e conversas não operacionais” na torre de controle do Galeão. Segundo os investigadores, essa cultura grupal contribuiu para a repetição de erros e enfraqueceu os mecanismos de defesa da operação aérea.
O próprio controlador admitiu à comissão de investigação que havia um “rebaixamento de atenção” naquele turno, devido à baixa demanda e ao ambiente relaxado na torre.
Pilotos agiram com rapidez
De acordo com o relatório, os pilotos só avistaram o veículo quando estavam a 185 metros de distância. Um dos tripulantes desviou à direita, permitindo que o carro passasse entre os trens de pouso do nariz e da asa esquerda. A colisão, no entanto, danificou o sistema hidráulico, tubulações de combustível e carenagens da aeronave. A decolagem foi abortada, e o avião parou cerca de 1 km depois do ponto de impacto.
Sem responsabilização criminal
Como prevê a legislação, o relatório do Cenipa tem caráter preventivo e não punitivo. Nenhum profissional foi responsabilizado criminalmente. O órgão emitiu recomendações para reforçar treinamentos, melhorar as condições da sala de controle e podar a vegetação que obstrui a visibilidade da pista.
A investigação reforça a importância da vigilância operacional e da disciplina nos procedimentos de controle aéreo, especialmente em horários de menor movimento.






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