“Abril Vermelho”: MST já contabiliza 9 ocupações de terras e pressiona governo por reforma agrária

Série de ocupações ocorre anualmente no mês de aniversário do massacre de Eldorado dos Carajás — quando 19 sem-terra foram assassinados pela Polícia Militar do Pará, em 1996.

Em nova ofensiva para pressionar o governo em prol da reforma agrária, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) já ocupou nove terras pelo país desde a semana passada. As terras estão distribuídas em sete estados: Bahia, Pernambuco (com duas ocupações), Ceará, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Goiás, São Paulo e Pará.

O ponto alto aconteceu neste domingo (14), quando o movimento anunciou a ocupação da Embrapa em Petrolina, Pernambuco. A demanda principal é o assentamento de 1.316 famílias, segundo a entidade. Em comunicado, o MST acusou o governo federal de não cumprir com os acordos prometidos em abril. A mesma área havia sido ocupada no primeiro semestre do ano passado. Os militantes desocuparam a propriedade após negociações com o Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Em nota, a Embrapa afirmou que a área ocupada é a mesma ocupada no ano passado, onde “há terras agricultáveis e de preservação do Bioma Caatinga”. A segunda área é utilizada é destinada ao manejo dos rebanhos. A nota diz ainda que “a Embrapa reafirma seu compromisso histórico com a agricultura familiar e com a produção sustentável de alimentos, está aberta ao diálogo e adotando as medidas cabíveis para solucionar a situação”.

A ocupação faz parte do “abril vermelho”, que ocorre anualmente no mês de aniversário do massacre de Eldorado dos Carajás — quando 19 sem-terra foram assassinados pela Polícia Militar do Pará, em 1996. No período, o movimento tradicionalmente promove marchas e ocupações para pressionar o governo a ampliar a reforma agrária, prevista em lei.

Para tentar diminuir o descontentamento do movimento, Lula vai lançar nesta segunda-feira o “Programa Terra da Gente”, que tentará “ampliar e dar celeridade ao acesso à terra”.

A iniciativa foi encomendada por Lula ao ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, e tenta formar uma “prateleira de terras” que podem ser ofertadas para os assentamentos.

A ofensiva do MST ocorre também em um momento em que o governo tenta se aproximar de ruralistas com o objetivo de diminuir resistências no setor. A estratégia prevê churrascos na Granja do Torto com produtores, viagens para estados com predominância do agro e obras do PAC destinadas as setor.

A relação conflituosa entre o agro e o MST coloca Lula em um ponto de pressão entre sua antiga base aliada e a necessidade de conquistar o agronegócio. Encarregado de capitanear os esforços de aproximação de Lula com os grandes empresários agro, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou à reportagem que o governo é democrático e que entende a reivindicação do MST, “mas se alguém invadir terra produtiva, tem que ser coibido”.

— É um governo democrático, que entende a manifestação. Claro que, se alguém invadir terra produtiva, tem que ser coibido. Agora, querer ter um pedaço de chão é legítimo. Defendo o direito de propriedade para todos, para quem tem e para quem não tem. Não precisa ser tirando de A em detrimento de B. O presidente da FPA faz isso porque tem de ter o discurso de oposição. Talvez ele ainda esteja no palanque.

Já o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, afirmou que o movimento do governo de aproximação com o setor com jantares ou churrascos é irrelevante se o Palácio do Planalto não conseguir conter as “invasões” de terra do MST.

Ocupações

Entre as ocupações anunciadas estão a Fazenda Mariana, no município de Campinas (SP). O movimento afirma que a área é de aproximadamente 200 hectares e é administrada por uma empresa do setor imobiliário. O MST diz ainda que a área é “improdutiva” e está “tomada por pastagem degradada e há anos não cumpre sua função social”.

No DF e regiões próximas, o MST afirma que mil famílias ocuparam “área falida de 8 mil hectares”.

Com informações do GLOBO.

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