A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou na quinta-feira (25) uma nota pública em repúdio aos ataques sofridos pela jornalista Malu Gaspar após a publicação de uma reportagem que envolve o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
A entidade classificou as investidas como tentativas de intimidação ao exercício profissional do jornalismo e alertou para o crescimento de agressões virtuais dirigidas a mulheres que investigam figuras de poder.
No comunicado, a Abraji destacou que episódios semelhantes têm se repetido nos últimos anos e apresentam um viés de gênero. Segundo a entidade, ataques misóginos contra jornalistas mulheres tornaram-se recorrentes quando reportagens tratam de autoridades que ocupam posições de destaque no poder público.
Nota da Abraji
Na manifestação, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo afirmou que a defesa do jornalismo profissional deve ser uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade. A entidade ressaltou que, quando um jornalista é intimidado por exercer sua função, o prejuízo não é individual, mas coletivo, pois compromete o direito da população à informação.
A Abraji também chamou atenção para o impacto desses ataques no ambiente digital, onde campanhas coordenadas e mensagens ofensivas se disseminam rapidamente, ampliando o alcance das agressões e o potencial de intimidação.
Reportagem e repercussão
A nota foi divulgada após a publicação de uma reportagem assinada por Malu Gaspar, originalmente no jornal O Globo. O texto relatou que o ministro Alexandre de Moraes teria procurado o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, ao menos quatro vezes para tratar de interesses relacionados ao Banco Master.
A reportagem foi repercutida por outros veículos e, segundo a Abraji, desencadeou uma série de ataques direcionados à jornalista nas redes sociais, com críticas pessoais e tentativas de desqualificação do trabalho jornalístico.
Posicionamento dos citados
De acordo com o conteúdo publicado, Alexandre de Moraes negou ter atuado em favor da instituição financeira. Em nota, o ministro afirmou que os encontros com Galípolo ocorreram em razão da aplicação da Lei Magnitsky. A mesma versão foi divulgada pelo Banco Central.
A jornalista relatou que as tratativas envolveriam pressões relacionadas ao Banco Master, interpretação que foi rechaçada pelo magistrado. A Abraji destacou que divergências e contestações fazem parte do debate público, mas que ataques pessoais e intimidações não podem ser naturalizados em uma sociedade democrática.






Deixe um comentário