Relatório elaborado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em 27 de dezembro de 2022 alertou sobre a presença de um grupo extremista composto por militares da reserva no acampamento bolsonarista montado em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília.
O documento descreve a atuação dos chamados “Boinas Vermelhas” ou “paraquedistas”, grupo sem nome oficial nem estrutura centralizada cujos membros, segundo a agência, “se identificam como militares da reserva das Brigadas de Infantaria Paraquedista do Exército Brasileiro (EB)”.
“Embora seus integrantes sejam chamados de ‘Boinas Vermelhas’ ou ‘paraquedistas’, o grupo não tem nome oficial ou estrutura centralizada, sendo composto por reservistas autônomos que compartilham posição político-ideológica semelhante, discurso radical de deslegitimação do Estado de Direito e propensão à ação violenta”, diz o relatório enviado à CPI do 8 de janeiro.
“Seus membros expressam discurso de ruptura constitucional e demonstram disposição para envolvimento em ações violentas. Além disso, cultivam imagens de prontidão de que aguardam uma suposta ordem presidencial que os acionem”, afirma a Abin em outro trecho.
Segundo o documento, o relatório de inteligência foi entregue ao Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro (PL) — chefiado à época por Anderson Torres —, à Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, e ao gabinete de transição.
Os agentes de inteligência apontaram que a presença do grupo extremista em Brasília aumentava o risco de ações violentas na posse de Lula (PT), em 1º de janeiro.
Menos de duas semanas antes dos ataques golpistas de 8 de janeiro, a Abin também escreveu que os Boinas Vermelhas tinham “capacidade, motivação e meios” para planejar, executar ou dar suporte a atos violentos.
“A presença do grupo na capital federal eleva o risco de ocorrência de ação violenta com potencial de impactar a posse do presidente eleito. Avalia-se que o grupo tenha capacidade, motivação e meios para planejar, executar ou prestar suporte a um ato extremista violento”, afirmou o relatório.
“Ademais, pode atuar como indutor de atos de vandalismo e obter a adesão de participantes da ocupação que originalmente não demonstravam propensão à violência”, completou.
Segundo a Abin, os militares já haviam participado de outras manifestações violentas ou com ataques às instituições. Os paraquedistas estavam nas proximidades da Polícia Federal no dia da diplomação de Lula, em 12 de dezembro, quando bolsonaristas tentaram invadir o órgão. Os mesmos militares também teriam participado de atos golpistas em 7 de Setembro de 2021.
“Os Boinas Vermelhas já estiveram presentes em outras manifestações em Brasília. No feriado do Dia da Independência em 2021 e nos dias que se seguiram, o grupo incitou manifestantes à desordem e promoveu tentativas de ultrapassar barreiras de contenção montadas por forças policiais na Esplanada dos Ministérios”, afirma o relatório.
Com informações da Folha de S. Paulo.





