A popularidade e desaprovação do governo Lula da Silva: uma análise com base na pesquisa do Instituto Quaest

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após um período de popularidade estável, testemunhou uma queda gradual em sua aprovação; este artigo busca explorar as razões por trás desse fenômeno

* Paulo Baía

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após um período de popularidade estável, testemunhou uma queda gradual em sua aprovação, conforme evidenciado pela pesquisa conduzida pelo Instituto Quaest em 8 de maio de 2024. Este artigo busca explorar as razões por trás desse fenômeno, considerando tanto os aspectos políticos quanto os sociais e econômicos que moldaram a percepção pública sobre o governo.

Em agosto de 2023, a aprovação do governo Lula atingiu seu ápice, alcançando 60%, enquanto a desaprovação se situava em 35%. Contudo, ao longo dos meses subsequentes, essa aprovação declinou, estabilizando-se em 50% em maio de 2024, com uma desaprovação de 47%. Este declínio na aprovação, embora contido, é sintomático de uma polarização persistente na sociedade brasileira, como delineado na obra “Biografia de Abismo”, que descreve uma divisão social profunda, com metade da população apoiando o governo e a outra metade se opondo a ele.

Uma análise mais aprofundada das pesquisas de opinião revela um descontentamento generalizado entre os brasileiros. Por exemplo, quase metade dos entrevistados acredita que o país está seguindo na direção errada, um aumento significativo em relação aos números registrados anteriormente. Esse sentimento é ainda mais pronunciado entre os evangélicos, onde 60% expressaram essa preocupação. Além disso, a percepção de que o presidente Lula não está cumprindo suas promessas de campanha aumentou para 63%, enquanto apenas um terço dos entrevistados acredita que ele está cumprindo o que prometeu.

Outras questões, como o desemprego e o aumento dos preços dos alimentos, também contribuem para o mal-estar geral da população. Apesar dos indicadores econômicos favoráveis, como a taxa de desemprego mais baixa em uma década e uma inflação controlada, a percepção pública difere significativamente dos dados oficiais. Por exemplo, enquanto o IBGE registra uma taxa de desemprego de 7,9% no primeiro trimestre, uma porcentagem considerável da população acredita que o desemprego aumentou nos últimos 12 meses. Da mesma forma, a maioria dos entrevistados afirma que os preços dos alimentos aumentaram recentemente, refletindo uma desconexão entre as percepções individuais e a realidade econômica.

A pesquisa da Quaest, conduzida em todos os estados do Brasil, revela um desafio significativo para o governo Lula em comunicar eficazmente suas realizações e políticas. Apesar dos esforços para ampliar sua base de apoio, especialmente por meio de programas sociais, o governo enfrenta dificuldades em convencer a população sobre seus sucessos. Isso sugere uma lacuna na comunicação entre o governo e os cidadãos, que pode comprometer sua capacidade de mobilização e governança eficaz.

Em suma, a popularidade e a desaprovação do governo Lula da Silva refletem uma complexa interação de fatores políticos, sociais e econômicos. Enquanto o governo enfrenta desafios significativos em atender às expectativas da população e em comunicar eficazmente suas políticas e realizações, a polarização persistente na sociedade brasileira continua a moldar a percepção pública sobre seu desempenho.

* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.

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