RICARDO BRUNO
Em eleição, há sempre uma dose de surpresa, o inesperado pode sim mudar o curso natural do processo. Consultar a história recente do país, contudo, é uma boa pista para mostrar que dificilmente Lula deve perder este pleito, apesar da competição duríssima estabelecida nesta reta final.
Primeiro, é necessário dizer que nunca houve virada no segundo turno presidencial. Sempre o primeiro colocado saiu vencedor na “vuelta” às urnas, como aconteceu com Bolsonaro (2018), Dilma (2014 e 2010), Lula (2002 e 2006) e Collor (1989). Fernando Henrique Cardoso foi o único a ser eleito em um único turno.
Depois, reconheçamos, Lula é muito mais competitivo do que Dilma ou Collor – ambos disputaram eleições apertadíssimas em 2014 e 2009 e se sagraram vencedores. O cenário acirrado atual, de disputa renhida, na photochart, lembra essas eleições.
Em 2014, a essa altura da campanha, Dilma tinha 46% dos votos totais, contra 43 de Aécio. Havia igualmente uma sensação de roleta russa no ar, imprevisibilidade na veia, apreensão máxima. Dilma levou.
Três pontos percentuais também separavam Collor de Lula em 1989, na primeira eleição direta para presidente da República após a ditadura militar. A pesquisa Datafolha feita a nove dias do segundo turno mostrava Collor com 47% e Lula, 44%. Collor levou.
Hoje, Lula está quatro pontos à frente de Bolsonaro, segundo o Datafolha. A favor do petista, a simbologia histórica de seu nome, o legado de suas administrações anteriores, a empatia popular que desperta, o éthos social de sua imagem mítica de defensor dos pobres e desvalidos.
Em resumo, Lula tem muito mais atributos para guerra final com Bolsonaro. Em condições semelhantes, Dilma e Collor venceram. É de se esperar, portanto, sem exageros a vitória de Lula. A menos, que ocorra algo absolutamente inesperado e impactante – hipótese pouco provável.





