‘A ditadura segue como ferida aberta no Brasil’, diz Wagner Moura, ao ganhar o Globo de Ouro

Ator venceu como melhor intérprete de drama e defendeu cinema e cultura como pilares da democracia brasileira

Vencedor do Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama, Wagner Moura afirmou que a ditadura militar continua sendo uma “ferida aberta” na história do Brasil e defendeu a necessidade de o cinema seguir abordando o período. O ator falou com jornalistas logo após a cerimônia, realizada neste domingo, ao comentar o significado político e cultural do prêmio recebido por sua atuação em O Agente Secreto.

Dirigido por Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto também venceu o Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa, consolidando o destaque da produção brasileira na principal premiação do cinema internacional. No longa, Wagner Moura interpreta um professor perseguido pelo regime militar, personagem que serve como fio condutor para revisitar os mecanismos de repressão e violência do Estado durante o período autoritário.

Memória histórica e cinema

Ao comentar o impacto do filme e da premiação, o ator foi enfático ao relacionar passado e presente. “Precisamos continuar fazendo filmes sobre a ditadura. A ditadura é ainda uma ferida aberta no Brasil. Aconteceu há apenas 50 anos. Entre 2018 e 2022, tivemos um presidente de extrema-direita que é uma manifestação física dos ecos da ditadura”, afirmou Moura, ainda na área reservada à imprensa.

Segundo ele, a persistência desses temas no debate público demonstra que o país ainda não superou completamente o trauma do regime militar, encerrado oficialmente em 1985. Para o ator, a arte tem papel central na preservação da memória e na defesa de valores democráticos.

Cultura e democracia

Wagner Moura também destacou a relação entre cultura e democracia, ao avaliar o momento político brasileiro. “Acho que a cultura e a democracia andam juntas, e no Brasil temos, finalmente, depois de um período obscuro, uma democracia na qual podemos respirar e um governo que entende que a cultura é importante para o desenvolvimento de um país”, disse.

Com o troféu nas mãos, o ator concluiu ressaltando a interdependência entre esses pilares. “Democracia, cultura e filmes coexistem, não vivem um sem o outro”, afirmou.

O reconhecimento internacional de O Agente Secreto reforça a presença do cinema brasileiro no circuito global e recoloca no centro do debate a importância de revisitar a história recente do país por meio da arte, num momento em que memória, política e democracia seguem profundamente entrelaçadas.

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