No fim da linha do trem da Central do Brasil, onde muitos acreditam que só há trilhos e poeira, Japeri revela um cenário inesperado: esportes radicais, história colonial e até o primeiro campo público de golfe do Brasil. A cidade da Baixada Fluminense, a pouco mais de uma hora do centro do Rio, mostra que o “fim da linha” pode ser, na verdade, o início de uma aventura.

Entre pântanos antigos e memórias ferroviárias, Japeri guarda capítulos curiosos: nasceu em 1743 como Morgado de Belém, ganhou igreja, escola e até teatro graças ao Marquês de São João Marcos, e só em 1993 virou município oficial. O nome, de origem tupi, ainda rende debates entre linguistas, mas carrega o espírito da natureza que moldou a região.

Hoje, o município se reinventa com turismo de aventura e inclusão social. Do rafting no Rio Guandu às trilhas do Pico da Coragem, passando pela escalada na Pedra Lisa e pelas festas religiosas que lotam as ruas, Japeri prova que não é apenas “a última estação”: é destino para quem busca coragem, diversão e uma boa história para contar.

Visto do Rio Guandu, em Japeri | Crédito: Prefeitura de Japeri / Divulgação

História

O local que hoje conhecemos como Japeri começou em 1743 como o “Morgado de Belém”, dentro de uma sesmaria que pertencia ao antigo Engenho de Pedro Dias.

Com o tempo a região ganhou casas, igreja e escola, tudo graças ao bolso do Marquês de São João Marcos. Ele incentivou a lavoura, construiu engenhos, levantou a Capela de Nossa Senhora de Belém e inaugurou a primeira escola, além de um teatro em 1872.

O nome “Japeri” vem do tupi e, pra variar um pouco, gera treta entre os linguistas. Para alguns ele vem de “yaperi”, que significa “aquilo que flutua”. Provavelmente uma referência a uma planta semelhante ao junco, comum nos pântanos antigos da região.

Outra versão, menos citada, que associa o nome a “rio dos japis”: junção de termos tupis para “japi” (japi, japi?) e “y” (rio). De qualquer forma, o nome carrega o cheiro da água, do pântano e da natureza que moldou a paisagem. 

Em 1858 foi inaugurada a estação ferroviária da localidade — marco de sua importância na malha ferroviária. Com o tempo, o nome “Belém” foi sendo trocado por “Japeri”, até que, após plebiscito em 1991, o município foi oficialmente criado e instalado em 1º de janeiro de 1993.

Apesar das transformações, Japeri manteve sua memória viva: entre seus limites, rios, matas e trilhos, guarda as marcas de um passado colonial, ferroviário e rural, que hoje dialoga com o turismo de aventura e o destino de quem busca o diferente.

A cidade tem mesmo o primeiro campo de golfe do Brasil?

Pois é, o Japeri Golfe se orgulha de ser o primeiro campo público de golfe do Brasil. Criado em 2006 por um grupo de caddies cariocas, o projeto nasceu como forma de dar oportunidades a jovens da Baixada Fluminense.

O campo tem nove buracos, é oficial e aberto ao público; inclusive com escola de golfe, aluguel de equipamentos e aulas para crianças e jovens das comunidades locais.

Para muitos moradores, o Japeri Golfe representa uma chance de esporte, lazer e esperança num lugar que, por vezes, é lembrado apenas pelos problemas.

Ou seja, tem história social, inclusão e uma tacada certeira contra estereótipos.

Japeri Golfe é o primeiro campo público da modalidade no Brasil | Crédito: Reprodução

O Rio Guandu é um dos principais points para prática de rafting no Brasil?

Essa história “o maior”, ou “o principal” sempre dá confusão. Mas sem dúvida o Rio Guandu está entre os melhores lugares para fazer rafting no Brasil, uma atividade que, além de muito prazerosa, é um excelente exercício.

O Guandu nasce na Serra do Mar e tem 63 km de extensão. Mas o trecho utilizado para o rafting não passa de sete quilômetros de corredeiras que variam do nível 2 ao 4. Além disso, a vegetação ao redor do rio é um típico exemplo de Mata Atlântica, extremamente bem conservada e onde muitos pássaros podem ser observados.

E você nem precisa ser um veterano para cruzar o rio mesmo nos lugares que dá mais susto. Diversas operadoras de turismo em Japeri oferecem o passeio com guias e segurança. Os preços costumam sair a R$ 150 por pessoa, com direito a descontos para grupos.

Qual o principal cartão postal da cidade?

Sem dúvida o Pico da Coragem, com cerca de 520 metros de altura, destino preferido de quem curte voo livre, parapente ou asa-delta. 

Do topo, a vista recompensadora alcança o rio, morros e boa parte da Baixada Fluminense. Um panorama que, dizem os guias, compensa cada degrau da subida.

Para chegar lá, existe uma trilha charmosa chamada Caminho da Coragem. São cerca de 2,5 km a pé até o topo. No caminho, a parada ideal para um banho refrescante: a Cachoeira da Saudade é perfeita pra renovar as energias antes da subida final.

Mas claro: não vá achando que é trilha de parquinho da Disney. Leve água, respeito à natureza e aproveite a vista

O que é a Pedra Lisa?

A Pedra Lisa, com 500 metros de altura, é uma formação rochosa ideal para quem curte adrenalina e contato com a natureza. A rocha tem “ângulo de 90° o que a torna um desafio e tanto para escaladores e praticantes de rapel.

Além disso, a vista da região rural de Japeri e a tranquilidade do entorno transformam a Pedra Lisa num refúgio perfeito para quem busca natureza e desafio sem sair do estado.

Pedra Lisa: desafio para os alpinistas em Japeri | Crédito: Prefeitura de Japeri / Divulgação

Por que vale a pena conhecer a Estação Ferroviária de Japeri?

A estação, inaugurada em 1858 como parte da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil, marca um capítulo importante da história ferroviária nacional. Era a “última parada” antes de o trem seguir pelo interior.

O prédio histórico, construído com técnica de enxaimel importada da Inglaterra, é tombado como patrimônio cultural. Mesmo após sofrer um incêndio em 2020, a estação continua viva na memória e na paisagem de Japeri como um convite para quem quer mergulhar na história do Brasil e entender como a ferrovia moldou pessoas, regiões e destinos.

Quais as principais festas de Japeri?

A cidade tem tradição cultural de festas populares, entre elas, o Carnaval da Paz, pra quem quer fugir do circuito tradicional e curtir natureza com samba no pé.

E como toda cidade do interior, o que bomba são as festas religiosas: São Sebastião (20 de janeiro), São Jorge (23 de abril), aniversário da cidade (30 de junho), Senhor do Bonfim (agosto) e Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade, em 8 de dezembro.

O que mais tem para fazer por lá?

Para quem gosta de aventura ou sossego, Japeri oferece opções para agradar a todos. Mas, sem dúvida, o destaque da cidade são os esportes radicais.

Mas se o seu perfil não é aventureiro, há visitas às igrejas históricas como a de Nossa Senhora da Conceição e a do Senhor do Bonfim.

Paróquia Nossa Senhora da Conceição: opção de visita para quem não curte esportes radicais | Crédito: Prefeitura de Japeri / Divulgação

Como chegar?

Partindo da Guanabara leva-se cerca de uma hora para percorrer os 70 quilômetros até Japeri.  De ônibus ou trem (pela linha suburbana), o percurso dura cerca de 2h55min e o custo da passagem (trem suburbano) costuma ficar entre R$ 7 e R$ 8.

Ou seja: a última estação está mais perto do que muitos imaginam. E o “fim da linha” pode ser só o começo de uma boa história.

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