* Paulo Baía
Há figuras que emergem da história não apenas pela solidez de suas realizações, mas sobretudo pela ética e pelo espírito público que as orientam. Eduardo Bandeira de Mello, em junho de 2025, não é apenas um nome entre tantos no Parlamento brasileiro. É símbolo de uma trajetória rara, enraizada na competência técnica, na responsabilidade pública e na coragem de transformar cenários complexos com serenidade, racionalidade e compromisso. Do coração do serviço público federal à vibrante e impetuosa presidência do Flamengo, da gestão austera ao parlamento combativo, Bandeira de Mello consolidou-se como uma das principais lideranças do Estado do Rio de Janeiro e do renovado Partido Socialista Brasileiro. Sua caminhada é feita de coerência, consistência e uma visão de futuro que ultrapassa as promessas políticas e habita o domínio dos que já realizam.
Sua história começa nos corredores do BNDES, onde serviu por mais de três décadas com discrição exemplar e eficiência meticulosa. Economista e administrador formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi no banco de fomento que Eduardo Bandeira de Mello moldou o arcabouço técnico que lhe daria reconhecimento nacional. Participou da estruturação do Fundo Amazônia, referência mundial em financiamento sustentável, e contribuiu com programas de modernização da administração pública que permitiram a dezenas de municípios brasileiros organizar suas finanças, ampliar receitas e qualificar serviços. Trabalhou silenciosamente, mas com impacto duradouro. Sua marca foi o rigor com o dinheiro público, a busca incessante por soluções efetivas e o respeito absoluto à legalidade. A política, ainda que próxima, parecia apenas horizonte.
Mas foi o futebol, essa paixão arrebatadora e desmedida do povo brasileiro, que o projetou ao centro da cena. E não qualquer futebol, não qualquer clube. O Flamengo, clube de milhões, templo da devoção popular, microcosmo das glórias e dos abismos de um Brasil conflagrado entre emoções e razões. Em 2013, num momento crítico de falência institucional e descontrole financeiro, Eduardo Bandeira de Mello aceitou o desafio quase suicida de presidir o Flamengo. Não o fez com vaidades, mas com planilhas. Não com promessas fáceis, mas com cálculos difíceis. Reduziu a dívida astronômica, instituiu um novo modelo de governança, profissionalizou a administração, recuperou a credibilidade institucional e entregou ao torcedor um Flamengo novamente grande. Em meio à arena de vaidades do futebol brasileiro, fez da razão sua melhor estratégia e da ética seu único escudo. Sobreviveu à pressão dos resultados imediatos, enfrentou setores resistentes, enfrentou a impaciência de uma torcida colérica por vitórias e títulos. E venceu. Com ele, o clube construiu o moderno centro de treinamento do Ninho do Urubu, investiu na base, reergueu o esporte olímpico, reorganizou o futebol feminino, valorizou a cultura rubro-negra. O Flamengo foi campeão dentro de campo e revolucionário fora dele.
Presidir o Flamengo, aliás, é mais que uma função institucional: é um posto simbólico que guarda paralelos com a própria chefia de uma república. Porque o Flamengo é, em si, uma espécie de nação. Uma entidade com território simbólico próprio, povoada por milhões que compartilham identidade, afeto, sofrimento e glória. Ser presidente do Flamengo é governar um país invisível, com suas paixões intensas, sua memória coletiva, sua economia pulsante e sua cultura única. A presidência rubro-negra é, por isso, um exercício antropológico e sociológico, uma experiência política integral: articula poder simbólico e racionalidade administrativa, exige destemor diante da pressão pública e impõe decisões que impactam o imaginário popular de um Brasil inteiro. Bandeira de Mello exerceu esse cargo com a sobriedade de um chefe de Estado e com a lucidez de um gestor moderno. E o fez sem jamais confundir autoridade com autoritarismo, ou liderança com populismo.
Encerrada a jornada no esporte, com a dignidade dos que não precisam de aplausos, voltou-se para o desafio da política institucional. Em 2018, ainda pela Rede Sustentabilidade, aventurou-se no processo eleitoral. Não venceu. Mas plantou. Em 2022, com o PSB renovado e em busca de quadros éticos, técnicos e populares, foi eleito deputado federal com quase 73 mil votos. Desde então, atua com uma dedicação que constrange a inércia parlamentar e com uma presença que inspira o que há de melhor na representação republicana. Frequenta com regularidade admirável todas as sessões e comissões. Relata projetos com profundidade. Discute com propriedade. Propõe com clareza. Assume posições sem medo. E, acima de tudo, trabalha. Trabalha com método, com preparo, com honestidade intelectual. Não grita. Não simula. Não performa. Atua.
Eduardo Bandeira de Mello, em junho de 2025, está em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados, mas sua atuação já o projeta como uma das lideranças mais lúcidas e respeitadas do Estado do Rio de Janeiro. Numa terra marcada por ciclos intermináveis de populismo, de corrupção, de salvadores da pátria e de colapsos éticos, sua figura se destaca como rara. Não como outsider, mas como estadista em formação. Não como promessa, mas como realidade. Seu PSB, longe de ser sigla de conveniência, torna-se, com ele e com outros quadros da nova geração, um polo de racionalidade progressista. É um partido que aposta em 2026, vislumbra 2030, e que pode, enfim, recolocar o campo democrático no trilho de um reformismo moderno, realista e comprometido com o futuro.
Mais que técnico. Mais que gestor. Mais que deputado. Eduardo Bandeira de Mello é hoje uma referência de formulação política e articulação de primeira grandeza. No PSB, atua como elo entre os que pensam e os que fazem. No Rio de Janeiro, já é símbolo de uma esperança madura, possível, despojada de delírios messiânicos. Sua ética é silenciosa. Sua coerência é inegociável. Sua atuação honra o mandato popular que recebeu. E sua biografia, longe de encerrar-se no campo das gestões passadas, é construção em curso de uma alternativa sólida para o futuro da política fluminense e nacional.
Num país fatigado por farsas e promessas vazias, nomes como o de Eduardo Bandeira de Mello são, mais que necessários, essenciais. Em tempos em que o descrédito com a política encontra guarida em cada esquina da desesperança, sua trajetória nos ensina que é possível, sim, aliar técnica, paixão e compromisso público em um só corpo. O Brasil precisa reaprender a confiar. O Rio precisa reaprender a sonhar. E Eduardo Bandeira de Mello é, hoje, a personificação desse sonho maduro que já começa a virar realidade.
* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ





