Apoiadores de Jair Bolsonaro que estiveram na Avenida Paulista, em São Paulo, no domingo (26) defendem, em sua maioria, que quem depredou a sede dos Três Poderes nos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro deve sofrer punição. É o que revela levantamento do grupo de pesquisa “Monitor do debate político”, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP), que ouviu 498 manifestantes durante o ato. Entre os entrevistados pelos pesquisadores, 94% indicaram ter esse posicionamento.
Além disso, 23% consideram que os financiadores dos atos golpistas de 8 de janeiro também devem ser punidos, enquanto 37% acreditam que a mesma punição deve aplicada a quem entrou nos prédios dos Três Poderes, em Brasília. Por outro lado, 95% dos entrevistados afirmaram que os apoiadores do ex-presidente que estavam “apenas acampados em frente ao quartel-general do Exército” não deveriam sofrer penas da Justiça.
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, até o momento, 25 envolvidos no 8 de janeiro. As penas variaram entre três anos e 17 anos de prisão. Na última sexta-feira, o Supremo formou maioria para condenar mais cinco réus pelos atos golpistas. Ainda não há definição, contudo, sobre a pena a ser aplicada. Ao serem questionados sobre a resposta da Justiça diante dos atos de 8 de janeiro, 91% dos bolsonaristas que estavam na Paulista disseram que houve excessos nas prisões e condenações.
Coordenado por Pablo Ortellado e Márcio Moretto, o grupo de pesquisa da USP estimou em mais de 13 mil o público que participou da manifestação bolsonarista. O ato teve como mote a “defesa do Estado Democrático de Direito”, dos “direitos humanos” e a “memória de Cleriston da Cunha”, réu no inquérito que apura o 8 de janeiro e que morreu no Complexo da Papuda durante banho de sol no dia 20.
A pesquisa analisou três fotos tiradas por drones entre 15h30 e 15h45 para estimar o número de pessoas na manifestação. As imagens receberam, cada uma, a aplicação do método chamado Point to Point Network, que identifica as cabeças de pessoas nas imagens repartidas em várias partes, e estima o público total. O método tem erro percentual médio de 12% para mais ou para menos na contagem de público.
A mesma metodologia foi usada para estimar em mais de 32 mil pessoas o público presente no ato de apoio a Bolsonaro na mesma Avenida Paulista, em 7 de Setembro de 2022, a última grande manifestação em favor do ex-presidente realizada no local. Ou seja, em pouco mais de um ano, houve uma redução de mais da metade do público cativo nesse tipo de ato.
A manifestação se concentrou essencialmente em um quarteirão em frente ao Masp e contou com apenas um trio elétrico, onde parlamentares e lideranças religiosas discursaram. Bolsonaro não esteve presente no domingo, mas publicou a convocação em seus perfis nas redes sociais.
Ele fez um vídeo na semana passada e chegou a dizer ao pastor Silas Malafaia, organizador do ato, que iria. Mas deixou o Rio de Janeiro na manhã de domingo e seguiu diretamente para Brasília, como antecipou o colunista do Globo, Lauro Jardim.
Enquanto os bolsonaristas celebraram a quantidade de pessoas presentes no ato, a base do presidente Lula (PT) enfatizou que houve um esvaziamento. Do lado da oposição ao governo federal, os políticos investiram em algumas estratégias para justificar os 13 mil presentes: o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por exemplo, disse que a manifestação foi convocada em cima da hora, com três dias de antecedência.
“Em apenas 3 dias de convocação para as ruas, este foi o resultado. E certamente há muito mais gente engasgada com vontade de ir para as ruas”, escreveu no X (antigo Twitter) junto a um vídeo dos manifestantes.
Há quem tenha preferido não comentar os números. Este é o caso do ex-ministro do Meio Ambiente e deputado federal, Ricardo Salles (PL-SP). Em postagem, Salles chamou a palavra “flopou” de “idiota” e afirmou não saber o que esta terminologia significa. “O fato é que a Paulista voltou a ficar verde e amarela, como deve ser”, disse.
Entre parlamentares da base de governo, imagens e vídeos da Paulista foram divulgados em seus perfis. “Meia dúzia de gado pingado na Paulista”, disse Lindbergh Farias (PT-RJ), em referência à expressão popular “meia dúzia de gato pingado”, mas trocando gato por gado, em alusão pejorativa aos apoiadores de Bolsonaro.
Com informações de O Globo.





