Forças de segurança do Rio têm intensificado ações contra quadrilhas ligadas a facções criminosas do estado. Desde o início ano, 10 lideranças de outras regiões, que buscaram esconderijo em território fluminense na tentativa de expandir seus negócios, acabaram presas ou neutralizadas. A maior parte estava abrigada em comunidades dominadas por quadrilhas de tráfico de drogas.
“Esse resultado traz uma mensagem clara: não admitimos que bandidos de outros estados usem o Rio como esconderijo para continuar a praticar crimes. Nossas polícias Civil e Militar têm atuado e vão continuar a atuar de forma integrada e com inteligência para localizar e capturar esses criminosos, onde quer que eles estejam”, disse o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
Em março, durante operação no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, o maior criminoso do Pará foi morto em confronto, assim como outros nove bandidos paraenses. O principal alvo da ação era apontado como responsável por uma série de ataques contra agentes de segurança daquele estado. A quadrilha do traficante também teria participação nos confrontos que atingem comunidades na Zona Oeste do Rio. O criminoso, inclusive, teria orquestrado o assalto ao shopping Village Mall, na Barra da Tijuca, ocasião em que um segurança foi morto.
Entre os presos, estão o chefe do Comando Vermelho de Fortaleza; o traficante mais procurado de Minas Gerais; dois integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) de Rondônia; um criminoso da alta cúpula do tráfico de Sergipe que estava abrigado na Maré; o líder de uma organização criminosa da Bahia; uma traficante apontada como articuladora de ataques no Rio Grande do Norte, além de um criminoso do mesmo estado também envolvido nos atos terroristas; um dos mais perigosos assaltantes de banco do país, alvo prioritário da Secretaria de Segurança do Paraná; além de um foragido da Justiça do Mato Grosso, líder do Comando Vermelho naquele estado e responsável por fornecer drogas e armas à facção que controla o tráfico de drogas no Complexo da Maré.
“Melhoramos as condições de trabalho dos nossos policiais, aumentamos a tropa nas ruas, adquirimos novos equipamentos e alcançamos reduções históricas nos índices de criminalidade. Temos investido pesado na área para conquistar esses resultados: nada menos que R$ 1 bilhão. Não vou medir esforços para que o Rio seja um lugar mais seguro para se viver, viajar e investir”, afirmou o governador.
Entretanto, existem críticas à alta letalidade das ações policiais em favelas do Rio de Janeiro e à brutalidade de algumas ações. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, se manifestou sobre a operação que ocorreu na manhã da última quarta-feira (5/4), no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Em vídeos que circulam nas redes sociais, dois caveirões — veículos blindados da Polícia Militar do estado — são vistos adentrando uma escola pública.
“É doloroso ver as cenas de uma escola invadida por um Caveirão na Favela da Maré, no Rio de Janeiro. É inaceitável que tantas crianças tenham o ano letivo prejudicado pela violência e que tenham, ainda, suas vidas colocadas em risco em operações policiais”, disse a ministra em uma publicação em rede social.
O Instituto Fogo Cruzado já havia apontado recentemente que, somente nos três primeiros meses de 2023, 10 crianças já haviam sido baleadas no Grande Rio, a maioria vítimas de operações policiais; e a Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (Faferj) chegou a chamar a operação no Complexo do Salgueiro de chacina. O sociólogo Daniel Hirata, que é membro do grupo de trabalho Redução da Letalidade Policial, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também se manifestou recentemente:
“Não dá para considerar uma operação policial que termina com 13 mortos uma operação bem-sucedida”, afirmou.
Com informações da Agência Brasil.
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