Witzel resiste em demitir Tristão, que deixaria de ter foro privilegiado

Apesar de estar convencido da necessidade de demitir os secretários comprovadamente próximos do empresário Mário Peixoto, o governador Wilson Witzel resistiu ontem a deflagrar as exonerações porque teria de começar pelo amigo Lucas Tristão, comprovadamente, entre seus assessores, o mais íntimo do fornecedor preso no âmbito da operação Favorito. A demissão retiraria do secretário de…

Apesar de estar convencido da necessidade de demitir os secretários comprovadamente próximos do empresário Mário Peixoto, o governador Wilson Witzel resistiu ontem a deflagrar as exonerações porque teria de começar pelo amigo Lucas Tristão, comprovadamente, entre seus assessores, o mais íntimo do fornecedor preso no âmbito da operação Favorito. A demissão retiraria do secretário de desenvolvimento econômico o foro colegiado no TRF, deixando-o sob a mira exclusiva do juiz Marcelo Bretas. O artigo 150 da Constituição Estadual garante aos secretários de estado julgamento pelo Tribunal de Justiça. Por simetria, em ações na Justiça Federal, somente o TRF poderia julgá-los.

Como comprovam os grampos em poder do Ministério Público, Tristão frequentava as residências de Mário Peixoto no Rio e em Angra dos Reis. A quebra do sigilo telemático do empresário mostra enorme quantidade de ligações telefônicas entre os dois, aproximadamente 20 por dia, o que evidenciaria um relacionamento de excessiva proximidade entre o homem-forte do palácio Guanabara e o maior fornecedor do governo.

Empoderado como o mais influente secretário da administração estadual, Tristão passou trombar com todos os que resistiam a se submeter ao comando paralelo que montou no Palácio Guanabara, a começar pelos deputados estaduais. Ele se recusava a permitir que parlamentares fizessem indicações em pastas onde Mário Peixoto atuava. A briga pelo comando do Inea, na secretaria de meio ambiente, foi o primeiro round do confronto que manteve com os deputados, no caso os do MDB. O Inea é uma das áreas de atuação do empresário.

Sua postura inflexível, avesso à conciliação, foi ampliando seu desgaste na Alerj. No auge de sua imatura afirmação de poder, chegou a afirmar ao presidente André Ceciliano possuir dossiês sobre a vida de todos os deputados estaduais. Com a ameaça, desejava subjugar o Parlamento de modo a preservar suas áreas de interesse dentro do governo. O tiro saiu pela culatra: passou a ser torpedeado diariamente no plenário, criando uma animosidade que dificultou ainda mais as relações entre os palácios Guanabara e Tiradentes.

A leitura atenciosa da denúncia do MP mostra, inúmeras vezes, Tristão em atuação junto a Mário Peixoto. Em um dos trechos do dialógo objeto de escuta da PF, entre Alessandro Duarte, o operador financeiro do empresário, e Gilson Rodrigues, presidente do Cecierj, ele é anunciado como convidado de um almoço na casa de Mário Peixoto.

Leia :

HNI: Porra! Tirar onda do caralho! Hein?
ALESSANDRO: rsrsrs. Eu vou ver.
HNI: Mandar o Cassiano resolver essa porra. De repente o Cassiano resolve
mesmo. Falando com nosso primo, o outro lá.
ALESSANDRO: Eu vou ver com ele amanhã. Porra, eu marquei uma obra de manhã
cedo e chefe marcou um almoço na casa dele com o Lucas e um político. Eu vou ver o
que que eu resolvo. Eu te falo
HNI: tá bem.
ALESSANDRO: Eu sei que ele vai me cobrar. Eu te passei o relatório ai. Depois tu dá
uma olhada.
HNI: Sei. Vou dar uma olhada.
ALESSANDRO: valeu.
HNI: valeu.

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