Na véspera de deixar o governo do Amapá, em 30 de dezembro do ano passado, o ministro da Integração Nacional, Waldez Góes, anunciou a contratação mais cara de sua gestão: a pavimentação de uma rodovia que liga a capital, Macapá, ao Sul do estado.
A obra, avaliada em R$ 100 milhões, foi entregue a uma empresa que pertence a um suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP) e terá a maior parte financiada por recursos do orçamento secreto enviados pelo próprio parlamentar.
Segundo a noticia do Globo, um dia antes do anúncio, Góes havia sido apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como integrante do primeiro escalão do governo federal, indicado por Alcolumbre.
O empreendimento no Amapá será tocado pela Construtora e Reflorestadora Rio Pedreira, pertencente a Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador, que atuou de forma decisiva para Góes virar ministro.
O posto estava reservado a um nome do União Brasil, mas Alcolumbre articulou para que o aliado ficasse com o ministério, mesmo sendo filiado ao PDT — ele se licenciou do partido após a posse.
Ao anunciar o nome do então governador, Lula deixou claro que a vaga era da “cota” pessoal de Alcolumbre, que se tornou um dos parlamentares mais influentes após presidir o Senado e comandar a distribuição do orçamento secreto.
O mecanismo, proibido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do ano passado, repassava recursos públicos de forma desigual e sem transparência a congressistas, que os direcionavam para seus redutos eleitorais.





