Viktor Orbán admitiu derrota nas eleições húngaras deste domingo, encerrando 16 anos de governo ininterrupto que transformaram a Hungria em símbolo da resistência aos valores liberais na União Europeia. O líder da extrema direita global concedeu a vitória ao Tisza, partido de oposição liderado por Péter Magyar, em discurso à nação poucas horas após o fechamento das urnas.
“A responsabilidade de governar não nos foi dada nesta ocasião”, afirmou Orbán, parabenizando Magyar e indicando que seu partido Fidesz atuará na oposição. A declaração marca o fim de uma era em que Budapeste enfraqueceu instituições democráticas, submeteu a mídia e o Judiciário a controles políticos e cultivou alianças com Moscou em detrimento de Bruxelas.
As primeiras projeções, divulgadas com mais de 45% dos votos apurados, apontavam 135 cadeiras para o Tisza, garantindo maioria de dois terços no Parlamento, contra 57 do Fidesz. A participação eleitoral alcançou 77,8%, superando o recorde histórico de 70,5% registrado em 2002, o que analistas interpretam como favorável à mudança.
Magyar conduziu campanha baseada na reversão da orientação pró-Moscou do país, no combate à corrupção e na restauração da independência institucional. O líder da oposição recebeu ligação de Orbán com parabenizações pela vitória enquanto a apuração confirmava a tendência.
Durante a votação em Budapeste, Orbán manteve retórica hostil à União Europeia, afirmando que não permitiria que políticas de Bruxelas comprometessem a soberania húngara. Citou ainda amigos da Hungria que vão da América à China, passando pela Rússia, em referência explícita às alianças construídas ao longo de seu governo.
Manifestantes aguardavam o premier na saída da seção eleitoral com cartazes que ironizavam sua proximidade com Vladimir Putin. Um deles exibiu passagem de embarque simbólica para Moscou, destinada a Orbán em caso de derrota. O líder húngaro, apesar do apoio declarado de Donald Trump durante a campanha, é considerado o principal aliado do presidente russo dentro do bloco europeu.
A transição de poder abre incertezas sobre o futuro das relações da Hungria com a União Europeia e com os Estados Unidos. Magyar prometeu reaproximação com Bruxelas e revisão das políticas que isolaram o país nos últimos anos, embora a implementação efetiva dependa da composição final do Parlamento, cuja definição completa pode levar dias devido ao sistema proporcional complexo adotado.






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