Eduardo Paes (PSD) acusou Anthony Garotinho (Republicanos) de participar de uma “armação” para interferir no resultado da eleição para o Governo do Rio e evitar a realização do segundo turno. Em vídeo publicado nas redes sociais no início da noite desta segunda-feira (5), Paes também citou o fato de Wladimir Garotinho, filho do ex-governador, ser filiado ao PL, partido de Douglas Ruas.
A declaração ocorreu horas depois de Garotinho desistir do recurso apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o indeferimento de sua candidatura. A medida pode resultar na retirada de seus 274.411 votos da base de cálculo e fazer Ruas passar dos 49,27% registrados na eleição para 50,88% dos votos válidos.
A consequência, caso confirmada pela Justiça Eleitoral, seria a definição da disputa no primeiro turno, sem novo confronto nas urnas entre Ruas e Paes.
Paes fala em armação
No vídeo, Paes afirmou que sua campanha vinha questionando a situação eleitoral de Garotinho desde antes da votação e classificou o adversário como “candidato laranja”. A acusação é de responsabilidade do candidato do PSD e não foi comprovada.
Segundo Paes, o objetivo da candidatura de Garotinho seria interferir no resultado da eleição. O candidato também criticou o fato de o ex-governador ter participado normalmente da campanha e dos debates antes de desistir do recurso um dia depois da votação.
“É uma clara interferência no processo eleitoral”, afirmou Paes.
O candidato do PSD sustentou ainda que a eventual retirada dos votos de Garotinho transferiria para uma decisão judicial uma definição que, em sua avaliação, deveria voltar às urnas no segundo turno.
A situação jurídica, entretanto, ainda não está encerrada. O ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do caso no TSE, abriu prazo de dois dias para que o Ministério Público Eleitoral se manifeste sobre o pedido de desistência. Até uma decisão, Ruas e Paes permanecem formalmente classificados para o segundo turno.
Filho de Garotinho está no PL
Ao levantar suspeitas sobre as motivações da desistência, Paes mencionou diretamente a relação partidária da família Garotinho com o PL.
“O filho do Garotinho é filiado ao PL”, disse Paes no vídeo, antes de classificar o episódio como uma “manobra”.
Wladimir Garotinho, filho de Anthony Garotinho, foi eleito deputado federal pelo PL neste domingo, com 81.797 votos. Ele foi prefeito de Campos dos Goytacazes por dois mandatos e deixou o cargo em abril para concorrer à Câmara dos Deputados.
Paes cobrou publicamente explicações do adversário sobre o episódio.
“Quero que ele responda o que negociou com o Garotinho para fazer essa manobra”, declarou.
Desistência pode mudar resultado
Garotinho terminou a eleição com 274.411 votos, equivalentes a 3,17%. Ruas recebeu 49,27% e Paes, 42,76%. Os votos destinados ao candidato do Republicanos ficaram registrados como anulados sub judice durante a apuração.
Na segunda-feira, a defesa de Garotinho apresentou ao TSE a desistência do recurso contra o indeferimento de seu registro, classificando a decisão como “livre, expressa, consciente e irretratável”.
Se a desistência produzir como efeito definitivo a exclusão dos votos de Garotinho da base de cálculo, Ruas passaria a 50,88% e poderia ser declarado eleito no primeiro turno.
A definição, contudo, está nas mãos da Justiça Eleitoral. O pedido de desistência ainda não resultou na proclamação de Ruas como governador eleito, e o TSE analisa seus efeitos sobre o resultado.
No vídeo, Paes defendeu a manutenção do segundo turno e desafiou Ruas para uma nova etapa da campanha.
“Eu espero que a vontade de quem é desse mundo, o povo do Rio de Janeiro, seja respeitada, que haja segundo turno”, afirmou.
Veja o vídeo:







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