Sob a chuva, diante de uma Praça de São Pedro completamente deserta, o papa Francisco se dirigiu ao mundo inteiro em 27 de março de 2020. Era o auge da pandemia de Covid-19. O silêncio da praça — em contraste com os sinos que tocavam e as sirenes das ambulâncias ao fundo — tornou-se uma das imagens mais marcantes de seu pontificado e, agora, com sua morte, um símbolo definitivo de seu legado.
Francisco faleceu nesta segunda-feira (21), às 7h35 no horário de Roma (2h35 em Brasília), aos 88 anos. Foi o primeiro papa latino-americano e sua liderança à frente da Igreja Católica desde 2013. Durante os 12 anos de papado, ele ficou conhecido por gestos simples e palavras firmes em defesa dos mais vulneráveis, dos migrantes, do meio ambiente e da paz.
Em 27 de março de 2020 o Papa Francisco conduziu, solitário, a benção Urbi et Orbi, no auge da pandemia de COVID. Uma das imagens que marcarão o século XXI. pic.twitter.com/w0Qn4h074n
— Renato Guimaraes (@renatoguimaraes) April 21, 2025
Mas talvez nada tenha sintetizado melhor sua missão quanto a cena solitária em que ele concedeu a bênção Urbi et Orbi — geralmente reservada ao Natal e à Páscoa — em um evento extraordinário. A cerimônia foi descrita pelo Vaticano como um momento de “graça extraordinária” em tempos de sofrimento global. Na ocasião, o papa concedeu a “indulgência plenária” aos católicos, um gesto de perdão e esperança.
A homilia daquele dia também voltou a repercutir nesta segunda. Francisco relembrou a passagem bíblica em que Jesus acalma a tempestade enquanto seus discípulos temem pelo pior. “A fé começa quando nos damos conta de que precisamos de salvação. Não somos autossuficientes; sozinhos, afundamos: precisamos do Senhor, como os antigos navegadores precisavam das estrelas”, afirmou. E concluiu: “Com Deus, a vida nunca morre”.
A fala ressoou fortemente, inclusive fora dos círculos religiosos. O atual vice-presidente dos Estados Unidos, James David Vance, compartilhou o vídeo nas redes sociais e declarou: “Aquilo foi muito bonito”.
A imagem do pontífice solitário, sustentando a esperança em meio ao vazio, tornou-se símbolo não só de um período de medo coletivo, mas de um papa que buscou estar ao lado da humanidade nos momentos mais sombrios. Ao recordar sua morte, o mundo volta também àquela noite de março, quando, em silêncio e sob a chuva, Francisco falou mais alto do que nunca.
Com informações do g1
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