Um vídeo divulgado recentemente reforça as evidências de que um míssil lançado pelos Estados Unidos pode ter atingido uma escola primária no Irã, resultando na morte de 175 pessoas, muitas delas crianças.
As imagens foram publicadas no domingo (8) pela agência semioficial iraniana Mehr e passaram por verificação de jornalistas do The New York Times. O registro mostra um míssil de cruzeiro atingindo uma base naval localizada ao lado da escola primária Shajarah Tayyebeh, na cidade de Minab, no sul do país.
De acordo com a análise, o armamento identificado nas imagens seria um míssil Tomahawk, utilizado pelas forças militares americanas durante operações no conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Investigação aponta danos severos à escola
Um conjunto de evidências reunido pelos jornalistas inclui imagens de satélite, publicações em redes sociais e outros vídeos registrados logo após os ataques. O material indica que a escola foi gravemente danificada durante uma ofensiva de precisão realizada praticamente no mesmo momento em que a base naval era bombardeada.
A instalação militar atingida é operada pela Guarda Revolucionária Islâmica, força ligada ao governo iraniano. A proximidade entre os dois alvos levanta dúvidas sobre a trajetória e o impacto das munições utilizadas.
Questionado por um repórter sobre o caso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou que forças americanas tenham bombardeado a escola. Segundo ele, o ataque teria sido provocado pelo próprio Irã.
Autoridades americanas negam ataque direto à escola
Durante a declaração, Trump afirmou que, na avaliação dele e com base nas informações disponíveis, o episódio teria sido resultado de munições imprecisas utilizadas pelo Irã.
Ao lado do presidente, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que o Pentágono abriu uma investigação para esclarecer o que aconteceu, mas reiterou que, segundo o governo americano, ataques deliberados contra civis seriam uma prática associada ao regime iraniano.
Apesar das declarações oficiais, a análise independente das imagens indica que o impacto próximo à escola ocorreu praticamente no mesmo período dos ataques contra a base militar.
Análise de imagens e satélites reforça hipótese
O vídeo do ataque foi inicialmente divulgado pelo coletivo de investigação Bellingcat e posteriormente verificado de forma independente por jornalistas. Para confirmar a autenticidade, especialistas compararam elementos visuais presentes nas imagens com registros de satélite feitos dias após os bombardeios em Minab.
Nas imagens é possível identificar um canteiro de obras em frente à base naval, além de um caminho de terra e pilhas de entulho que também aparecem nas fotografias captadas por satélites.
A gravação mostra o momento em que o míssil atinge um prédio descrito como uma clínica médica dentro da base da Guarda Revolucionária. Após o impacto, colunas de fumaça e destroços são lançadas ao ar, enquanto testemunhas podem ser ouvidas ao fundo.
Sequência do ataque sugere impacto anterior na escola
Quando a câmera se desloca para a direita, grandes nuvens de poeira e fumaça já são visíveis na área onde fica a escola primária. Isso sugere que o prédio escolar pode ter sido atingido instantes antes do ataque à base naval.
Uma cronologia elaborada a partir de imagens e vídeos indica que os dois locais foram atingidos praticamente ao mesmo tempo.
Outras construções dentro da base naval também apresentaram sinais de danos causados por ataques de precisão, conforme análise posterior de imagens de satélite.
Tomahawk é arma usada apenas pelos EUA no conflito
Especialistas consultados identificaram o projétil visto no vídeo como um míssil de cruzeiro Tomahawk. Esse tipo de armamento não faz parte dos arsenais militares do Irã ou de Israel, sendo utilizado apenas pelas forças dos Estados Unidos no conflito.
Desde o início das operações, em 28 de fevereiro, dezenas desses mísseis foram lançados por navios da Marinha americana contra alvos iranianos.
O Comando Central dos Estados Unidos informou que um vídeo divulgado pela própria força militar, mostrando o lançamento de vários Tomahawks a partir de navios de guerra, também foi gravado no mesmo dia em que ocorreram os ataques na região de Minab.
Arma de longo alcance e alta precisão
Segundo o Departamento de Defesa americano, os mísseis Tomahawk são armamentos guiados de longo alcance e alta precisão, capazes de percorrer cerca de 1.600 quilômetros até o alvo.
Antes do lançamento, cada projétil recebe um plano de voo programado. Durante a trajetória, o sistema de navegação guia automaticamente o míssil até o objetivo definido.
Cada unidade mede aproximadamente seis metros de comprimento e possui envergadura de cerca de 2,6 metros. As ogivas mais comuns carregam explosivos com potência equivalente a cerca de 136 quilos de TNT.
Especialistas em armamentos, incluindo Trevor Ball, ex-técnico de desativação de explosivos do Exército dos EUA, e Chris Cobb-Smith, diretor da consultoria Chiron Resources, também analisaram o vídeo e chegaram à mesma conclusão sobre o tipo de míssil utilizado.
Veja o vídeo:






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