Vídeo: Bolsonaro admite que nunca teve provas de fraude nas eleições de 2022: ‘Foi um desabafo meu’

Em depoimento ao STF, ex-presidente reconhece ausência de evidências contra o sistema eleitoral, apesar de anos fomentando desconfiança

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) admitiu que jamais teve provas de fraudes nas eleições de 2022 — tema que alimentou por meses para sustentar sua base radicalizada e tentar reverter o resultado do pleito.

“Não tinha prova de nada no tocante a isso aí [processo eleitoral], foi um desabafo meu”, declarou Bolsonaro, logo na primeira resposta durante o interrogatório conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A declaração representa um ponto de inflexão na retórica do ex-presidente, que desde antes do pleito lançava dúvidas infundadas sobre a segurança das urnas eletrônicas. Embora tenha reconhecido que suas falas não tinham respaldo factual, Bolsonaro tentou relativizar sua responsabilidade ao citar outras figuras públicas, como o ministro do STF Flávio Dino, que fizeram críticas ao sistema eleitoral há mais de uma década, em contextos distintos.

A oitiva, realizada como parte do inquérito que apura a organização e articulação de uma trama golpista, expôs a fragilidade das alegações bolsonaristas. Bolsonaro prometera “falar por horas” e apresentar vídeos durante o depoimento, mas Moraes indeferiu o pedido de sua defesa, alegando que o interrogatório não seria o momento apropriado para exibir novos materiais.

Réu desde março deste ano, Bolsonaro responde por uma série de crimes graves, incluindo tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, além de deterioração de bem tombado. Ele é acusado de liderar e incitar uma conspiração que previa a anulação das eleições de 2022, com ações que incluiriam até o assassinato do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do próprio ministro Alexandre de Moraes.

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