A véspera de Natal está marcada por grande movimentação em shoppings e ruas de comércio popular nesta terça-feira (24). Em Copacabana, as lojas de moda e artigos natalinos concentraram o maior fluxo de clientes durante a manhã. No Rio Sul Shopping, localizado na Zona Sul do Rio, os itens mais procurados logo cedo foram panetones e roupas.
Amélia Rodrigues, ambulante de 69 anos que é dona de uma barraca de roupas femininas na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, avaliou o movimento como positivo. Segundo ela, houve grande procura por peças nas cores vermelho e branco, típicas para as celebrações de réveillon.
– As pessoas estão levando bastante roupa vermelha e branca para o réveillon. Este ano, tem mais brasileiros comprando do que turistas estrangeiros – comentou Amélia.
A contadora Michele Pereira, de 43 anos, aproveitou a manhã para resolver as últimas pendências natalinas. Na lista de tarefas estavam a compra de um presente para a sogra, a troca de um item recebido pela filha e a escolha de um presente para o amigo oculto no formato “rouba-rouba”, com um limite de R$ 80.
— Também estou levando alguns enfeites para completar a árvore de Natal. Os preços estão na média… A gente parcela e segue em frente — comentou Michele, enquanto escolhia sacolas de presentes enfeitadas.
Tem quem tenha deixado todas as compras para o último dia por preferir o ambiente mais tranquilo em meio à agenda apertada pré-feriado. É o caso da médica Reny Evangelista, que chegou a ir ao shopping no domingo, mas desistiu das compras por estar lotado demais. A solução foi ver os presentes para a família hoje:
— Hoje tô conseguindo encontrar tudo e o movimento é mais tranquilo do que no fim de semana — disse ela, após comprar panetones para a família. — Tô vendo presentes para o meu marido, filho, irmão, sogra. Estipulei cerca de R$ 150 por pessoa, às vezes dá um pouco mais ou um pouco menos. As coisas estão caras, mas dá para encontrar opções legais. Minha família é pequena, então dá para presentear todo mundo.
Associações de shopping centers estão otimistas
O pagamento da segunda parcela do décimo terceiro na terceira semana de dezembro é um dos motores por trás do otimismo do setor de shopping centers em relação ao faturamento nesta reta final do ano, conta Nabil Sahyoun, presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop).
Completam o cenário positivo o desemprego em nível historicamente baixo e a taxação de plataformas internacionais desde agosto, que ajudam o setor a encerrar 2024 com um faturamento próximo de R$ 200 bilhões, um crescimento real de 6% em relação ao ano anterior, de acordo com projeções da Alshop.
A medir pelo movimento na noite do dia 23 de dezembro, shoppings como Iguatemi e Ibirapuera, em São Paulo, registravam lotação, o que dá indícios de um consumo aquecido na véspera do Natal.
— Temos um fluxo bom nessa reta final. As empresas fazem despedidas de amigo secreto, o que gera compras de presente de última hora. E quando a empresa não faz, o que fazem os colaboradores é se reunirem nos restaurantes. E todo mundo sai correndo pra comprar essas lembranças, presentes de última hora — diz Nabil Sahyoun.
A expectativa é que o faturamento seja superior a R$ 6 bilhões este ano, segundo Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), 7% a mais que o registrado no Natal do ano passado. O aumento na renda disponível da população, o crescimento do emprego e promoções adotadas pelo varejo justificam a projeção, diz Glauco Humai, presidente da Abrasce.
— Embora o dólar alto possa influenciar os custos de determinados produtos, muitos consumidores já adaptaram seus hábitos, buscando alternativas mais acessíveis ou promovendo maior consumo de produtos nacionais — diz Humai, ao ressaltar que o calendário deste ano também ajudou o comércio, já que o Natal numa terça-feira deu aos consumidores mais tempo para realizar as compras.
Consumidores que deixaram as compras de Natal para a véspera relataram que enfrentam preços mais altos do que o esperado no Centro do Rio. Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio RJ), o gasto médio deve ser de R$ 300,29, com movimentação de R$ 675,28 milhões.
Na Saara, mercado popular do Rio, Jéssica Feliz, de 29 anos, veio de Belo Horizonte, acompanhada da filha e da sobrinha, separou R$ 300 para os presentes, mas precisou mudar os planos. Com R$ 100 reservados, optou por lembrancinhas.
— Achei que os preços estariam melhores. Vou presentear com algo simples — afirmou.
Com a alta do dólar e a inflação, principalmente nos alimentos, os brasileiros precisaram se adaptar neste Natal. Aqueles que deixaram itens para a ceia para a última hora ainda enfrentaram o desafio do tempo.
Com informações do g1 e do Globo.





