RICARDO BRUNO
Há probabilidade matemática de vitória de Lula, no Brasil, e de Cláudio Castro, no Rio, no primeiro turno das eleições em 2 de outubro. A avaliação é de um dos mais respeitados analistas de pesquisas do país, o professor de ciências políticas da UFMG e diretor da Quaest Consultoria, Felipe Nunes. Ser factível, contudo, não significa necessariamente que vá acontecer: “é necessário observar com redobrada atenção os movimentos do eleitorado na última semana de campanha”, aconselha ele.
Entrevistado neste domingo no programa Jogo do Poder, Felipe Nunes sustenta a possibilidade de uma definição na primeira rodada a partir do cotejo de tabelas e números intermediários das últimas pesquisas divulgadas. Segundo ele, Castro seria o beneficiário da migração de votos de Rodrigo Neves num hipotético movimento em direção ao voto útil no primeiro turno.
A hipótese se baseia no comportamento dos eleitores em simulações de segundo turno realizadas pela Quaest: em todas, Castro aumenta a vantagem sobre Marcelo Freixo, numa indicação de que o governador figura como destinatário da maioria dos votos do candidato do PDT. Boa parcela dos eleitores do ex-prefeito de Niterói não teria um perfil marcadamente ideológico; seria, sobretudo, um voto de matriz popular. Esse eleitor estaria mais propenso a apoiar o atual ocupante do Palácio Guanabara.
-Existe uma fadiga eleitoral muito grande. As pessoas não aguentam mais eleição, discutir política. Isto pode fazer com que o eleitor de Rodrigo Neves dê um voto útil mais direção a Cláudio Castro do a Freixo – explica
A avaliação do governo Cláudio Castro é outro fator a ser ponderado na avaliação de probabilidades de decisão no primeiro turno. De acordo com Felipe Nunes, na medida em que se torna mais conhecido, o candidato do PL atrai o voto do eleitor que aprova seu governo, cuja avaliação positiva e regular têm crescido.
Quanto a Lula, as razões já foram mensuradas pela pesquisa Quaest da última segunda-feira: 26% dos eleitores de Ciro Gomes, Simone Tebet e outros já se manifestaram dispostos a trocar o voto para garantir a Lula a vitória no primeiro turno. Isto seria suficiente para fazer com que o líder petista, hoje com 48,9% dos válidos, atravessasse a marca dos 50%.
Diferentemente da situação de Cláudio Castro no Rio, Jair Bolsonaro é mal avaliado, o que trava seu crescimento nas intenções de voto e consolida a sua rejeição em patamares altos. Daí o atual presidente não conseguir avançar, a despeito do pacote de bondades, como o Auxílio Brasil de R$ 600, a redução do preço dos combustíveis e o voucher a caminhoneiros e taxistas.
– A percepção não foi de que ele de fato incorporou essa pauta, mais social, mais próxima de Lula. Como isso veio agora, nos últimos meses, o eleitor considera medida eleitoreira – avalia.
Felipe Nunes faz sempre ressalvas lúcidas sobre a natureza das pesquisas. “Avaliamos cenários com base em números. Não temos bolas de cristal para prever o futuro. Se tudo isto vai acontecer assim é outra história”.
O Jogo do Poder vai ar no próximo domingo, às 22h30m, pela Rede CNT de Televisão. Canal 9 na cidade do Rio de Janeiro, 22 na NET e também no canal RICARDOBRUNOENTREVISTA no Youtube.






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