Uísque, Banco Master e acusações marcam duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro

Candidatos discutiram denúncias envolvendo Richarlison, Banco Master, patrimônio familiar e aliados políticos; debate terminou com apelos ao eleitorado

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O quarto e último bloco do debate presidencial da TV Globo, realizado nesta sexta-feira (23), foi marcado por uma sequência de acusações entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os candidatos discutiram uma disputa envolvendo o atacante Richarlison, relações com empresários, o Banco Master e o patrimônio de familiares. O confronto terminou com provocações pessoais e desafios para que ambos apresentassem informações financeiras à Justiça.

Antes da rodada de perguntas, Flávio teve direito de resposta, mas optou por não utilizá-lo. Em seguida, afirmou que queria falar às mulheres empreendedoras e prometeu medidas para combater a violência doméstica.

“Vou monitorar o marginal que agride uma mulher. Se o marginal chegar perto de você, ele será preso”, afirmou. O candidato também prometeu garantir autonomia às mulheres e disse que mães sem tempo para cuidar dos filhos poderiam ter mais disponibilidade.

Lula questiona Flávio sobre disputa envolvendo Richarlison

Lula abriu o bloco questionando Flávio sobre uma denúncia feita pelo atacante Richarlison. O petista afirmou que o jogador teria relatado que o senador e um advogado tomaram uma ilha que seria de sua propriedade.

“Como vocês tomaram a ilha dele?”, perguntou Lula. O presidente também questionou como uma pessoa teria sido comunicada sobre a perda do terreno e como a propriedade teria sido transferida em tão pouco tempo.

Flávio respondeu que a ação judicial já havia transitado em julgado e afirmou que Willer, citado na discussão, era seu amigo. Em seguida, tentou associar o caso a um advogado ligado ao governo petista.

Lula insistiu que o adversário explicasse a rapidez da transferência e questionou sua possível influência sobre um coronel que, segundo o presidente, teria liberado o terreno para um advogado.

“Willer não é apenas amigo. É seu sócio”, afirmou Lula, ao contestar a versão apresentada pelo senador.

Flávio negou envolvimento no caso e declarou que a Justiça já havia decidido a questão. Em seguida, desviou o foco para Lula e o provocou sobre uma garrafa de uísque que, segundo ele, teria custado meio milhão de reais.

“Conta qual o gostinho desse uísque”, disse Flávio.

Lula devolveu a provocação e afirmou que o presente poderia ter sido destinado à casa do adversário. O presidente voltou a questionar a relação do senador com pessoas investigadas e mencionou o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Banco Master e acusações de relações com empresários

A discussão avançou para as relações dos candidatos com empresários e para suspeitas envolvendo o Banco Master. Lula acusou Flávio de ter proximidade com Vorcaro e questionou sua resistência a medidas de investigação financeira.

“Você criou um banqueiro e eu fiz dele um prisioneiro”, afirmou Lula, em referência ao caso. O presidente também questionou a relação do senador com o empresário e perguntou por que ele não aceitava medidas para aprofundar as investigações.

Flávio negou irregularidades e afirmou que recursos recebidos para um filme sobre Jair Bolsonaro teriam sido destinados a um investimento privado, sem contrapartidas políticas.

“Era um investidor para um filme privado”, declarou o candidato do PL. Ele também questionou Lula sobre um áudio atribuído ao Instituto Lula e levantou suspeitas sobre investimentos de fundos de pensão no Banco Master durante o atual governo.

Flávio afirmou que um assessor ligado ao ministro Alexandre Padilha teria articulado investimentos de fundos de pensão vinculados à Caixa Econômica Federal na instituição financeira. Na discussão, citou R$ 10 bilhões e acusou o governo petista de corrupção.

Lula rebateu as acusações e voltou a mencionar o caso Covaxin, questionando a atuação de Flávio em negociações relacionadas à vacina durante o governo Jair Bolsonaro.

“Comecei perguntando da vacina Covaxin, se ele estava num barco, negociando com dois empresários. E ele diz que não estava”, afirmou o presidente. Lula acusou o adversário de mentir sobre sua participação em tratativas com empresários.

Flávio reagiu com novas acusações contra o presidente e questionou o patrimônio de seu filho. Citou um imóvel avaliado em R$ 15 milhões e fez referências a propriedades que, segundo ele, estariam relacionadas a pessoas próximas à família Lula.

Lula desafia Flávio a abrir as contas à Justiça

A discussão sobre patrimônio e transparência ganhou força quando Lula afirmou que seus advogados haviam apresentado documentos e informações sobre seus sigilos. O presidente desafiou Flávio a fazer o mesmo, incluindo a apresentação de informações sobre sócios e pessoas próximas.

“Quero que você coloque seus documentos, os do seu sócio, os dos seus amigos. Não minta”, afirmou Lula.

O petista também propôs que os dois colocassem suas contas à disposição da Justiça para investigação. Segundo ele, a medida permitiria esclarecer suspeitas envolvendo o patrimônio dos candidatos e de seus aliados.

“Vamos abrir as contas amanhã, na Justiça, para que a Justiça apure”, desafiou Lula.

Flávio rebateu, afirmando que Lula deveria explicar seu próprio patrimônio e lembrando as condenações que o petista sofreu e que foram posteriormente anuladas. O senador também questionou a declaração de bens do presidente e voltou a mencionar imóveis associados à família Lula.

“Quem deve explicações é você”, afirmou Flávio, ao cobrar respostas sobre o patrimônio de familiares do presidente.

Lula respondeu que o adversário recorria a mentiras e afirmou que suas declarações seriam desmentidas. Flávio, por sua vez, perguntou se o presidente teria algo a esconder sobre a empresária Roberta Luchsinger.

Durante o confronto, os dois candidatos fizeram acusações sobre relações com empresários, patrimônio familiar e possíveis irregularidades. As alegações foram apresentadas no debate como parte da disputa política, sem que a troca de acusações, por si só, comprovasse as suspeitas levantadas.

Lula fala em democracia; Flávio promete combater milícias

Nas considerações finais, Lula agradeceu aos eleitores pela paciência durante o debate e pediu desculpas pelas declarações que o público havia ouvido durante o confronto.

“Quero agradecer ao povo brasileiro a paciência e pedir desculpas por coisas que vocês ouviram e não mereciam”, afirmou.

O presidente disse que o domingo seria decisivo para o futuro do país e pediu que os brasileiros refletissem sobre o projeto político que desejam para o Brasil.

“Vocês vão escolher o país que querem. Tenho biografia e história. Luto com vocês”, declarou Lula, ao recordar sua trajetória profissional, que incluiu trabalhos como vendedor de tapioca, engraxate e torneiro mecânico antes de chegar à Presidência.

O petista encerrou com uma crítica ao adversário: “Vamos manter a democracia ou vamos ter um miliciano governando o país?”.

Flávio rejeitou as acusações e afirmou que nunca foi investigado por envolvimento com milícias. O candidato prometeu penas mais duras para integrantes desses grupos e disse que pretende devolver aos brasileiros a possibilidade de circular com tranquilidade.

“Miliciano vai ficar mais tempo preso. Vou libertar você. Quero que você volte a andar em paz”, afirmou.

Em sua mensagem final, Flávio também defendeu a soberania nacional e fez um apelo religioso aos eleitores. Pediu que os brasileiros rezassem um Pai-Nosso e buscassem orientação em Deus.

O debate terminou sem que os candidatos chegassem a um entendimento sobre as acusações apresentadas. Com a votação marcada para domingo (25), os dois encerraram a participação tentando associar seus adversários a riscos para o país e apresentar suas próprias candidaturas como o caminho para o futuro do Brasil.

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