Turista argentina ré por injúria racial vai a julgamento no Rio

Agostina Páez responde por três episódios de ofensas em bar; defesa afirma que ela reconhece erro e pede decisão proporcional

A advogada argentina Agostina Páez, de 29 anos, será submetida a uma audiência de instrução e julgamento na 37ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, em processo que tramita sob segredo de Justiça. A informação foi divulgada pelo g1, com base na denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

De acordo com a acusação, a estrangeira teria praticado injúria racial contra funcionários de um bar, utilizando termos de cunho racista e realizando gestos ofensivos. O caso ganhou repercussão após um vídeo com as imagens circular nas redes sociais, o que levou à abertura de investigação pela Polícia Civil.

Denúncia aponta três episódios de ofensas

Segundo o MPRJ, Agostina teria se referido a um funcionário como “negro” de forma pejorativa e, ao deixar o local, usou a palavra “mono” — que significa “macaco” em espanhol — além de imitar o animal. Ainda conforme a promotoria, ela repetiu as ofensas contra outros dois trabalhadores, utilizando expressões como “negros de m…” e “monos”.

A conduta resultou no indiciamento por três crimes de injúria racial. A Justiça chegou a decretar a prisão preventiva da advogada, com base no risco de fuga e na reiteração das ofensas, mesmo após ela ter sido alertada de que a atitude configurava crime no Brasil.

Ministério Público prioriza reparação à vítima

A promotora Fabíola Tardin Costa afirmou ao g1 que a atuação do Ministério Público neste caso prioriza a reparação dos danos causados às vítimas e o cumprimento da legislação brasileira de combate à discriminação.

“O foco da minha acusação é demonstrar que nosso país está comprometido com o combate ao racismo e com o respeito aos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, sem deixar de considerar a importância da garantia do direito reparatório à vítima. O cárcere é uma medida extrema e excepcional que, neste momento, não entendemos ser necessária”, declarou.

Defesa afirma arrependimento e pede medidas alternativas

A defesa de Agostina Páez sustenta que a ré reconhece o erro e demonstra arrependimento. Em nota, a advogada Carla Junqueira afirmou que a cliente agiu de forma inadequada em meio a um conflito e buscou compreender as consequências de sua conduta.

“Agostina reconhece que errou e reagiu de forma inadequada diante de uma situação de conflito. Demonstrou arrependimento sincero, pediu desculpas e buscou compreender as consequências de suas atitudes”, afirmou.

A defesa também declarou confiar na Justiça brasileira e defendeu que eventuais penas possam ser convertidas em medidas alternativas, permitindo que a advogada responda ao processo em liberdade.

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