O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (11) que o novo acordo comercial com a China “está fechado”, dependendo apenas da aprovação final dele e do presidente chinês Xi Jinping. A declaração foi feita nas redes sociais, um dia após autoridades dos dois países confirmarem um consenso preliminar nas negociações realizadas em Londres.
“A China fornecerá, antecipadamente, todos os ímãs e quaisquer terras raras necessárias. Da mesma forma, forneceremos à China o que foi acordado, incluindo estudantes chineses utilizando nossas faculdades e universidades (o que sempre foi algo positivo para mim!)”, escreveu Trump, sem detalhar o cronograma de implementação.
Apesar de já ter se referido anteriormente ao líder chinês como “muito duro e extremamente difícil de fazer um acordo”, Trump adotou um tom mais conciliador nesta quarta-feira, afirmando que o relacionamento com a China “é excelente”.
O anúncio ocorre após dois dias de reuniões entre representantes dos dois países em Londres, focadas na redução de tarifas de importação e no fornecimento de terras raras — recursos fundamentais para a indústria de alta tecnologia, incluindo baterias de veículos elétricos, smartphones e equipamentos militares.
Negociações e pontos de tensão
Segundo o vice-ministro do Comércio da China, Li Chenggang, as tratativas seguem os termos estabelecidos em maio, em Genebra, e também se baseiam na conversa direta entre Trump e Xi ocorrida no último dia 5. As autoridades, no entanto, ainda não divulgaram o texto integral do novo entendimento.
Trump afirmou que os Estados Unidos estão “recebendo um total de 55% em tarifas; e a China, 10%”, o que causou estranheza entre analistas, já que o acordo firmado em Genebra previa a redução das tarifas para 30%. A discrepância gerou dúvidas sobre os termos reais em vigor.
As tensões comerciais entre as duas potências se intensificaram desde abril, quando Trump anunciou um pacote de tarifas que atingiu vários países, com a China entre os mais afetados. Pequim respondeu com medidas retaliatórias, elevando as tarifas sobre produtos estadunidenses. Em determinado momento, as taxas aplicadas pelos EUA sobre bens chineses chegaram a 145%.
Em busca de distensão, os dois governos assinaram em 12 de maio, em Genebra, um acordo temporário que estabeleceu a redução mútua das tarifas por 90 dias. Ainda assim, o caminho para a consolidação de um pacto definitivo tem sido instável.
Metais críticos no centro do impasse
A exportação de terras raras — insumos indispensáveis para setores estratégicos — tornou-se um dos principais pontos das negociações. Apesar de a China ter concordado em liberar o fornecimento desses materiais, os Estados Unidos vêm reclamando de atrasos.
“Em Genebra, concordamos em reduzir nossas tarifas e eles aceitaram permitir a exportação de ímãs e terras raras que precisamos”, afirmou na segunda-feira (9) Kevin Hasset, principal assessor econômico de Trump. “Elas têm ocorrido em um ritmo muito mais lento do que o considerado ideal pelas empresas”, acrescentou.
O temor de interrupções no fornecimento desses recursos tem mobilizado empresas e autoridades estadunidenses, que buscam alternativas para reduzir a dependência da China nesse setor altamente concentrado.
Próximos passos
Com o anúncio de Trump, a expectativa agora gira em torno da formalização do acordo. Ainda não há confirmação oficial de quando ocorrerá a assinatura do documento final, tampouco quais medidas concretas serão implementadas a partir dele.
A sinalização positiva do presidente estadunidense teve reflexo imediato nos mercados, especialmente entre empresas do setor tecnológico e automotivo, que dependem do acesso a terras raras para suas cadeias de produção.
Mesmo com o tom otimista de Trump, analistas apontam que as negociações ainda estão longe de um desfecho definitivo, diante das contradições públicas sobre os termos e da falta de transparência sobre o conteúdo do acordo.





