Trump acusa Israel e Irã de violarem cessar-fogo e adverte aliado contra novos bombardeios a Teerã

Presidente dos EUA diz estar insatisfeito com os dois países e ameaça Israel após descumprimento de trégua negociada

Em declarações dadas nesta terça-feira (24), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou tanto Israel quanto o Irã de violarem o cessar-fogo que deveria ter entrado em vigor no início da manhã. A trégua, anunciada na véspera e mediada pelos Estados Unidos em parceria com o Catar, visava encerrar o confronto iniciado em 13 de junho, que já havia deixado dezenas de mortos e milhares de feridos.

A declaração foi feita por Trump enquanto embarcava para a cúpula da Otan, em Haia. Segundo ele, nenhum dos lados tem cumprido plenamente o compromisso assumido. “Não estou feliz com Israel. Não estou feliz com o Irã também, mas realmente não estou feliz com Israel”, afirmou. O presidente dos EUA também cobrou uma mudança de postura do aliado. “Israel tem de se acalmar, tenho que fazer Israel se acalmar”.

Em mensagem publicada nas redes sociais, Trump voltou a dirigir críticas diretas a Israel e alertou para possíveis consequências caso o país retome os ataques ao Irã. “Israel, não jogue suas bombas. Se fizer isso, será uma grande violação. Traga seus pilotos para casa, agora! Donald J. Trump, presidente dos Estados Unidos”, escreveu.

Negociação delicada e crise na trégua

A trégua, ainda em fase de implementação, foi anunciada oficialmente por Trump na noite de segunda-feira (23), após uma ligação entre ele e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Segundo a agência de notícias Reuters, que ouviu um alto funcionário da Casa Branca sob condição de anonimato, o cessar-fogo previa a suspensão dos ataques por parte de Israel desde que o Irã se abstivesse de realizar novas ofensivas.

A intermediação contou com a atuação do vice-presidente dos EUA, JD Vance, do secretário de Estado, Marco Rubio, e do enviado especial Steve Witkoff, que mantiveram canais de comunicação direta e indireta com o governo iraniano. Ainda de acordo com a Reuters, Trump e o vice-presidente conversaram com o emir do Catar para articular a proposta. O presidente estadunidense teria afirmado que Israel havia aceitado os termos e pediu apoio do emir para convencer Teerã a aderir à trégua.

Fontes próximas à negociação relataram à agência que o Irã concordou com a proposta após uma ligação telefônica que contou com a presença do primeiro-ministro do Catar. Apesar disso, horas depois, o chanceler iraniano Abbas Araqchi negou que um acordo de cessar-fogo estivesse em vigor ou que operações militares tivessem sido suspensas.

Trump exige em postagem em sua rede social Truth Social que Israel não volte a atacar o Irã, em 24 de junho de 2025. — Foto: Reprodução/ Truth Social

Doze dias de escalada militar

O conflito entre Israel e Irã teve início em 13 de junho, quando o governo israelense lançou uma ofensiva preventiva alegando risco iminente de o Irã alcançar capacidade nuclear militar. As forças de Tel Aviv bombardearam diversas instalações militares e nucleares em território iraniano. Como resposta, o Irã lançou mísseis contra cidades como Tel Aviv, Haifa e Jerusalém.

A justificativa de Israel, segundo o governo de Benjamin Netanyahu, é que o regime de Teerã estaria muito próximo de desenvolver uma bomba atômica — o que representaria uma ameaça existencial ao país. A escalada culminou, no fim de semana, com a entrada dos Estados Unidos no conflito. Forças dos EUA bombardearam a usina de Fordow, instalação subterrânea que abriga centrífugas para enriquecimento de urânio, considerada estratégica pelo programa nuclear iraniano.

Em retaliação ao ataque dos EUA, o Irã lançou, nesta segunda-feira (23), mísseis contra uma base militar estadunidense no Catar. Autoridades locais informaram que os projéteis foram interceptados e não houve vítimas. Fontes da imprensa dos EUA disseram que o Irã teria avisado com antecedência os governos estadunidense e catariano sobre a ação, numa tentativa de evitar uma escalada direta do conflito.

Futuro da trégua ainda é incerto

No anúncio da trégua, Trump afirmou que, se os termos fossem respeitados, os combates cessariam completamente até 24 horas após o início do acordo. “Partindo do princípio de que tudo funcionará como deve, o que acontecerá, gostaria de parabenizar ambos os países, Israel e Irã, por terem a Resistência, Coragem e Inteligência para encerrar o que deve ser chamado de A GUERRA DE 12 DIAS”, declarou.

Até o fechamento desta reportagem, o governo de Israel não havia confirmado oficialmente o acordo. Já o Irã, por meio de seu chanceler, reiterava que não reconhecia a existência de um cessar-fogo.

Com os dois lados ainda mantendo operações militares e sob crescente pressão internacional, o futuro da trégua mediada pelos EUA permanece incerto, e o risco de uma nova escalada não está descartado.

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