TRE-RJ aguarda TSE para definir destino dos votos de Garotinho

Garotinho recebeu 272 mil votos, equivalentes a 3,17% dos votos válidos, mas a candidatura foi indeferida e os votos foram contabilizados sub judice

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O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), desembargador Claudio de Mello Tavares, afirmou neste domingo (4) que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode decidir, antes do segundo turno, sobre a validade dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos) e, com isso, alterar o cenário da disputa pelo governo do estado. Segundo ele, caso haja uma decisão, o TRE-RJ terá de cumprir as determinações da Corte.

“Tudo pode ocorrer. O tribunal poderá, sim, em três semanas, se entender e tiver pauta para colocar o processo, decidir. Aí o Tribunal do Rio de Janeiro será comunicado e nós tomaremos as providências que forem determinadas.”

Garotinho recebeu 272 mil votos, equivalentes a 3,17% dos votos válidos, mas a candidatura foi indeferida e os votos foram contabilizados sub judice. Até a última atualização, Douglas Ruas (PL) tinha 4,2 milhões de votos (49,31%), contra 3,6 milhões (42%) de Eduardo Paes (PSD).

Com a situação de Garotinho ainda pendente no TSE, o resultado definitivo do primeiro turno permanece condicionado à decisão da Corte.

Na coletiva de encerramento do Centro de Divulgação das Eleições de 2026, Claudio de Mello Tavares reforçou que cabe ao TSE decidir se haverá ou não uma nova totalização dos votos.

“Depois da decisão do Tribunal Superior Eleitoral. É ele que vai decidir se fará retotalização ou não. Mas isso é uma questão que não compete ao presidente do TRE. Isso é o TSE”, finalizou.

Segundo turno ainda depende da decisão

Caso os votos de Garotinho sejam invalidados, Ruas, que terminou a apuração com 49,31% dos votos válidos, pode ser declarado vencedor no primeiro turno. Se os votos forem mantidos, a disputa segue para o segundo turno entre Ruas e Paes.

Questionado sobre a possibilidade de o TSE analisar o caso antes da votação do dia 25 de outubro, o presidente do TRE-RJ disse que não conhece o calendário da Corte, mas destacou que há tempo para uma eventual decisão.

“Nós temos praticamente três domingos. Hoje é dia 4 de outubro, o próximo domingo se dará no dia 25. Evidentemente, eu não sei como é que está o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, qual é a pauta que eles estão dando preferência ou não.”

235 urnas foram substituídas

Durante a coletiva, o TRE-RJ também apresentou um balanço da votação no estado. Ao todo, 235 urnas eletrônicas foram substituídas, o equivalente a 0,57% dos equipamentos utilizados.

Sobre a demora na votação, Mello afirmou que o tempo maior nas filas pode ser explicado pelo número de eleitores no estado e pela quantidade de cargos em disputa.

“Nosso colégio eleitoral tem quase 13 milhões de eleitores. Então, isso se justifica. Eu não posso afirmar ao senhor se não levaram a cola. O Tribunal disponibilizou mais de 1 milhão e 500 mil colas para os eleitores. Eu acho que o prazo está bem razoável, tendo em vista que, volto a repetir, tem pessoas mais idosas, tem pessoas que têm comorbidade, tem locais de votação que têm uma procura maior, ou seja, tem 1.500 eleitores”, listou.

O presidente explicou ainda que as seções eleitorais encerraram a votação e que, no momento da coletiva, algumas informações ainda estavam pendentes de transmissão ao TSE.

Mudanças nos locais de votação

O TRE-RJ também alterou 277 locais de votação em 20 cidades do estado. De acordo com Mello, 72 mudanças ocorreram por questões relacionadas à segurança diante da atuação de organizações criminosas.

“Nós mudamos em 20 cidades do Estado do Rio de Janeiro. Foram 72 locais por determinação, uma vez que as organizações paramilitares estavam tomando conta dos locais, ou o crime organizado, como que eu vou chamar. E os demais foram por causa da acessibilidade, por vários fatores”, declarou.

Segundo o desembargador, não houve reclamações à Ouvidoria do TRE-RJ relacionadas às mudanças.

Biometria

O presidente também avaliou o funcionamento da biometria durante a votação. Segundo ele, mais de 90% dos eleitores brasileiros já possuem cadastro biométrico, embora alguns tenham enfrentado dificuldades para concluir a identificação pelas digitais.

Ele acrescentou que a votação biométrica deve subir dos atuais 81% para cerca de 90% no próximo pleito. Por fim, o presidente considerou um sucesso a eleição, com um bom comparecimento do eleitor e finalizou que “cumprimos nosso dever e teremos segundo turno”.

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